8.12.09

apud cá dentro

Passei a desconfiar de certos chavões. Desconfiança que pode ou não ser sinônimo de incredulidade.

Chavões como o do "quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece". Troquei os verbos. Vi que o chavão pode, sim, fazer todo o sentido.

Passei a desconfiar também de algumas citações que antes, pra mim, não passavam mesmo de citações literárias – lindas, mas próximas demais, talvez, de um dia a dia tão do outro. Um outro lírico, distante do meu cotidiano do, muitas vezes, um-dia-depois-do-outro. O dia a dia das contagens regressivas, dos abraços perdidos e das saudades martelantes.

Citações de Sartre, tentando delimitar um pouco do inferno que há na terra; citações de Guimarães que me tocaram pra sempre, quando li, num chão de museu, que "qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura".
(...)
Sinônimo, não: a desconfiança é o antônimo.
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29 - Legião

16.11.09

em progressão geométrica

Hoje eu pensei nas contagens regressivas, no quanto já fiz uso delas e o quanto me instigavam. Contagem regressiva pro aniversário e as puxadinhas de orelha que meu pai me dava, correspondentes aos "novos anos". Bobinha, achava que os (bem) mais velhos tinham orelhas maiores pela proporcionalidade de tantos puxõezinhos festivos.

Contagem regressiva pro Natal. Eu e meu irmão deixávamos um par de calçados na beira da árvore, na sala, pra no dia seguinte, cedinho, correr lá ver o que o Santa tinha deixado pra gente. Morria de medo de deitar tarde (é, isso faz tempo) e ouvir os passos do dito cujo chegando. E nem chaminé eu tinha.

Contagem regressiva pras férias de fim de ano. Criança/adolescente é mesmo um bicho estranho: passava o ano todo se lamuriando das provas, torcendo pra julho e dezembro chegarem, fazia a tal contagem, mas aí chegava as férias e era um chororô danado das amigas que se separavam aquela enormidaaaade de tempo.

Contagem regressiva pras férias celetistas. Aleluia, irmãos.
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Hoje, algumas contagens regressivas são verdadeiras portas pro desconhecido, certas vezes, ou minas d'água sob o sol a pino, noutras. Instigam, mas sem a ingenuidade de outrora. É algo meio sem nome, meio sentido, meio vivido, meio sonhado. Com os dois pés bem fincados no chão, é verdade. Sem areia.
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As minhas contagens são regressivas. Vi uma série de reportagens na TV, esses dias, sobre pessoas desaparecidas, e tentei, por alguns minutos, me colocar na pele daqueles que esperam daquela forma - naquela contagem progressiva infame e corrosiva, a fórceps, revestida de esperança. A mãe adotiva que viu a filha de 16 anos sumir, ficou doente, fez a mastectomia e descobriu, meses depois, que a filha não estava morta: havia fugido com um rapaz. Descoberta seca, ao telefone, misturada a alegria e tristeza. Acho que nunca mais vou esquecer as olheiras daquela mulher: "Quando eu mais precisei dela, ela não estava lá. E eu dei tanto carinho..."

Outra mãe - essa que foi uma das mais emblemáticas na série - esperou, esperou, mas a filha não voltou. Viva, é verdade: haviam feito maldade à pequena dela, encontrada num desses terrenos baldios onde jazem as vítimas de famílias açoitadas de realidade. A mãe fundou uma associação pra ajudar outras famílias na busca de seus desaparecidos e disse uma coisa tão bonita: "É como se eu encontrasse minha filha em cada reencontro que acontece. Os reencontros são sublimes."
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Por um instante, o tempo pára.
Sublime.
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Haja o que houver - Mylene (canta Madredeus)

6.11.09

quente e frio

O moço na fila do restaurante, ontem à noite, me alertou: "Cuidado, moça. Essa colher tá quente. Se for se servir, pega com cuidado". Os borrachudos que atacaram a mesma mão direita (e pernas, braços, cotovelos...) horas antes, em frente à unidade prisional onde cumpria a pauta, não tiveram o mesmo zelo comigo. Mão gorda, mão gorda.
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É curioso como algumas pessoas tentam esconder fatos criando outros. Ontem, agente público preso sendo solto, um sujeito passa à frente de equipes de reportagem, dando rasteira e recebendo o apoio do irmão do ex-detento (que pedia pro carro seguir "reto", ou seja, à nossa frente), xinga Deus e o mundo. Em cinco anos e pouco de cobertura política, confesso que certas coisas ainda me assustam. O ser humano sempre é surpreendente, não tem jeito – e talvez o dia em que eu deixar de pensar assim, imagino, será pra mim uma constatação surpreendentemente triste.
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Cheguei à minha mesa desordenada, no fim do dia, e havia uma caixa bonita com um bilhete em cima: agradecimentos pelo retorno do "membro querido da família" (sim, o tal sujeito que eu acabara de ver saindo sob escolta da claque) e, dentro dela, três fatias de (pizza? Não,) bolo. Bolo de aniversário. Amigos e colegas haviam comemorado à tarde os três aniversários da semana, na gentileza de um companheirão de anos de casa. Comemoraram também o trote do ano. Pata, patinha.
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A colher quente, o bolo guardado (três fatias; olha a pujança), a articulação de alguns vários só pela reação à pegadinha e a frase que encerraria minha noite, de fato, antes daquela do moço no restaurante: "só se oferece aquilo que se tem".
Surpreendentemente simples, é verdade.
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Tempos Modernos - Lulu Santos

21.10.09

chove mais, vai, duvido que chove mais

Choveu tanto, mas tanto que a Câmara de Vereadores rachou, o Fórum recém inaugurado rachou, a calçada do prédio onde moro estourou. Mais um pouco e sai a Caverna do Dragão inteira lá de dentro.

Eu não aguento mais falar de chuva, ouvir falar de chuva, pautar ou ler matérias sobre chuva. Adorei o solzinho mequetrefe que saiu hoje, mas os raios que ouço agora, ao longe, e a ameaça de novo corte repentino de energia me dão aqui no íntimo uma ponta de desgosto do assunto de amanhã cedo. Ah, que sandice essa de São Pedro. Que chatice a minha. Ah, pôxa.

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Foram-se as rugas da testa, percebi, pra se formar um princípio de tique nervoso nas pernas. Já avisei pra ele que, se não parar de pular, para na marra: correria todo dia, em vez de alternadas três vezes na semana (haha). Falta só eu me dividir por mitose (isso aí), ajustar o sono do miserável início do horário de verão em dia e bye pro marvado (o sono acumulado; infelizmente, não o horário de verão). Venço ele na fraqueza! Entendeu? Nem eu.

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Contagem mais que regressiva. Aliás, duas delas. Entendeu? Eu vivo isso.

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Battleships - Travis

16.10.09

olha como a tarefa dela é bonita

Não fosse pelo informativo da assessoria da universidade, nem lembraria mais que o Dia do Professor, nas instituições, é comemorado com um singelo recesso. Pra mim ficaram mesmo a data e os nomes todos que ela me remete - alguns mais, outros menos detidamente na memória.

Engraçado como a gente chamava as professoras de tia fulana, tia sicrana, há 20 e tantos anos (meu Deus...), e isso não soava desrespeitoso. Hoje, é tudo mais impessoal. Também não vislumbro como seria diferente, confesso.

Lembro da tia Marilena, minha professora da primeira série que usava de uma artimanha toda dela pra aplacar meu choro dos primeiros dias de aula: elogiava minha letra. "Olha como a letra dela é boniiita!", e mostrava pros coleguinhas do lado, cúmplices no pequeno golpe que contava, ainda, com a posse da chave da cópia da chave do carro da minha mãe, que trabalhava no colégio. O bacana dessa fase (pras mães) é que criança não difere muito chave original de cópia.

Nunca me esqueço da tia Ercília, professora da pré-história do meu currículo escolar, antigo parquinho. Não sei se a nomenclatura existe ainda, "parquinho", antes do "prézinho"; só sei que tia Ercília misturava qualidades de educadora e de quem, durante toda uma tarde, ainda cuidava de uma filha (e de tantos outros) que não era a dela: tinha um carinho singelo, zeloso, discreto. E marcante, pra sempre. Quando fiz 6 anos, naquele novembro de 86, ela me chamou num cantinho da sala, enquanto a turma se esbaldava nos brinquedos do parque, e me deu um abraço de felicidades. Nas mãos, tinha a fabulosa "lousa mágica", febrinha da criançada que podia, e que, dias antes, ela tinha de aniversário dado a outro aluno da sala - sobrinho e afilhado dela.

Anos atrás minha mãe me deu a notícia da morte abrupta de tia Ercília, causada por um câncer aparentemente raro e muito difícil, portanto, de tratar. Até hoje - acho que lá se vão uns seis, sete anos, já - me lembro dela também nas orações em que penso na familiarada que se foi, nos amigos da família, nos parentes queridos dos amigos queridos.

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Viva em carne, osso e mais um monte de mecanismo de sustentação que, graças a Deus, ela exibe hoje, minha mãe foi a felicitada da data. Foi a depositária do que eu gostaria de ter dito à tia Ercília, a tantas outras 'tias' e ótimos mestres que tive, adolescente e adulta, e dos tantos exemplos que tive em casa, uma casa de professores. Foi Gláucia quem me alfabetizou e quem me mostra que as lições de superação são pra uma vida inteira: não param no parquinho, numa sala de diagnósticos médicos e muito menos nas esquinas dessa vida.
E isso não tem lousa capaz de apagar.

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Sobre o amor e seu trabalho silencioso - Céu

8.10.09

teoria prática da relatividade

. uma pilha de coisas.
.duas pilhas pra carregar pra amanhã cedo.
. clarice tirando novamente meu sono com a maestria de sempre no que de mais denso há nessa coisa rasa chamada ser humano.
."Um bocejo tinha que atrapalhar".
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sete horas me separam de uns instantes de liberdade fabricada, mas a minha, numa co-parceria sem prazo de validade que me apraz e acalma. fabricada sem cartão-ponto, sem pressa no trânsito que enerva e relembra, fabricada sem a vontade de mandar tudo àquele lugar enquanto preparo minha nave pro espaço.
. que vontade de chutar um pé de mesa bem forte.
[...]
[...]
[...]

passou.
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Florindo - Mariana Aydar

29.9.09

trate como um neném

Take 1 - o carro capota. É rodovia, não chove (acabara fazia pouco), mas faz um céu cinza de doer os olhos, e, num ziguezague de pista ribanceira abaixo, lembrando (sabe Deus como) aquele jogo do Atari, ela vê o veículo se entrelaçar com os demais. Baita capote; ainda dá tempo de pensar nos ossos. Só que é tudo tão rápido que logo o carro volta pra pista e, mesmo meio amassado, continua o trajeto de volta pra casa.
E dentro do carro, ela a assiste tudo, só que do lado de fora. Abismada e sem surpresa.
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Take 2 - o amigo morre. Não o amigo: o melhor amigo. Logo vem o nó na garganta, a sensação de solidão potencializada por saber que, por Deus, quem mais entenderia aquilo sem chamar de judiêra, sem fazer troça ou sem pseudo-filosofar sobre o mal do homem moderno? Só ele compreendia o tamanhão daquele nó. Mas agora acabou, se transformara numa lembrança, como a vida até aqui. Só que tudo é tão rápido que de repente ele aparece na frente dela, com aquele sorriso cúmplice, e fala: "meu bem, isso é um sonho", assim, dentro do. Ele segue no trajeto, seguimos. Abismada e aliviada, volto ao travesseiro.
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Quando eu era criança acreditei em Papai Noel e coelho da Páscoa. Assisti Xuxa, também, confesso. Hoje gosto de Bob Sponja e ouço gírias que remetem a ele, no bom e no mau sentido. Descobri que é bom e péssimo ser Bob Sponja. É tão rápida a diferença, e aparentemente tão besta, mas ela faz é toda, a diferença.
[Agora indiferente, constato que é melhor eu comprar logo minhas passagens e lembrar do que realmente vale a pena]
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Chá verde - Tiê

16.9.09

Suitsweet

Olhei a foto ampliada e fechei o olhos por um instante. Me vieram, na hora, os semblantes daquela gente aguardando pelo retorno de uma aeronave que não retornaria (não naquele momento), mas que, ao contrário, daria lentamente uma meia longa volta para acenar com a decolagem, rápida, sem tempo pro pensamento deixar a segunda lágrima cair. Pra muitos ali, senti, tanta agilidade do PR-VBI de pouco ou nada adiantou.
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Um pedaço ampliado de foto, uma parte de um vácuo que o coração, assim como os olhos daquelas pessoas, vai ter que ser ágil em corrigir. A decolagem é rápida, ao contrário das horas mais simples ou das mais ordinárias do dia. Muita coisa se amplia no vácuo, aprendi um dia, faz tempo.
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Entre imagens de sonho e de alguma doce fugacidade, de fundo, uma voz me faz um pedido. Então, eu abro os olhos de novo.

[abro pra constatar também, depois de cinco horas de uma espera insana madrugada adentro, que SUS e plano de saúde, quando mais se precisa deste, podem ser a mesma droga. O que muda é o pagamento em duplicidade]

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Dois - Tiê

1.9.09

i used to say

Preocupações tão comuns em vidas aparentemente tão esparsas nos fazem ver que tudo não passa de uma caixinha onde, volta e meia, uma mexidinha de leve mostra que os cantinhos estão ali, menos distantes do que se imagina. E é tão bom perceber isso de vez em quando que é tão bom que..... Puxa.
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Couve, laranja, morango, maçã, um pedacinho de cenoura e uma adoçadinha de leve, com mel, tudo muito bem coado. Sempre achei que sucos com folhas eram sucos de saladas; foi esse o gosto sentido numa primeira e longínqua vez - não com esses ingredientes -; foi esse o gosto que foi pro espaço na conversa com um amigo inteligente (também) pras coisas da terra, e, de vez, na tarefa noturna com o liquidificador. Redescobri o prazer de cozinhar pra mim, ainda que o suco não compreenda, obviamente, o duo panela/fogão.
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No hospital, a enfermeira me perguntou se eu era irmã da amiga que eu fora buscar, recém-saída de um pequena cirurgia da qual morro de aflição, morro. Ela, um dos meus anjos da guarda dias atrás, era agora quem precisava da minha ajuda, nem que fosse praquele abraço ou pra levá-la pro aconchego dos filhos. Tão simples, mas uma sensação tão grande do "isso não tem preço" me tirou, voluntária um involuntariamente, alguns sorrisos no caminho de volta. O longo caminho da volta pra casa.
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Um trecho daquela música de antigamente, sugerido delicadamente, pra eu meu lembrar durante toda a semana.
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No telefone, a constatação besta do outro lado de que eu estava pasma por sem sentir assim: bem besta. No sentido mais desnudo da palavra.
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Um e-mail em que desponta um filetezinho da lanterna que pensava escondida nos recônditos do marasmo. Bem verdade que a lanterna eu achei; tô trocando as pilhas gastas da danada.
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Fôlego pra mais alguns quilômetros de corrida nos próximos dias.
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E tudo segue rumo à Primavera, a estação mais bonita do ano e na qual que os dias começam a despontar cada vez mais cedo. Que assim seja.
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5 Discos - Fernanda Takai

25.8.09

e assim foi

"A boca fala daquilo de que o coração está cheio", ela nos disse, citando o texto bíblico. Em seguida, pediu que cada um fizesse conchinhas com as mãos e olhasse, naquele espaço imaginário e, ao mesmo tempo, muito real a cada um, o próprio coração. De que cor estava? Do que estava se nutrindo, e o que estava disseminando? Era vermelho-vivo, ou "rosa apagadinho"?

O próximo passo, depois da reflexão, seria elencar ao menos um motivo pra dar um louvor, que fosse, a Deus. Me impressionei com a fluidez com que as palavras brotavam daqueles sujeitos mais quietinhos e tímidos até nos gestos. Graças por pessoas amadas em lugares muito, muito distantes, mas saudáveis; por provações superadas aqui e acolá; por vidas postas à prova por doenças e reconstruídas depois de muita fé. Por gente que se sentiu ungida porque, enfim, teve a sensação de que algo ou alguém não desistiu dele, ou dela.

Minha família, pelo menos o chamado 'núcleo duro' dela, está uns 200 quilômetros de distância de mim a maior parte da minha vida de adulta, todos os dias. Basta saber que existe e essa distância, por um instante, aplaca parte da saudade. Acho que é mal de português esse sentimento, não é possível...

(Ou é a gripe, ou eu ando muito besta esses dias. Que seja assim. A caixa do lápis de cor do meu coração é minha, ora, ora!)

Pensei nos meus amigos, os que cabem numa mão, mas que são essenciais. Pequenos anjos na minha travessia, e que, mesmo sem o laço de sangue, são motivos enormes pra eu ter, sim, louvores imensos pela vida minha, e a deles. Podem vir com ou sem sacos gigantes de gengibre nos dias de gripe; ouvidos e conselhos lúcidos nos momentos de angústia; braços e olhares fraternos nos de alegria - também usam o telefone pra eu parar um pouco o tempo enquanto ouço suas vozes; mandam pequenas mensagens eletrônicas pra saber que estou viva e que estão vivos e cartas coloridas pra eu sempre remexer nas caixinhas de 'lembranças que aquecem o coração'.

Enfim, meu coração está cheio do que esse povo todo semeia, de perto e de longe, de casa ou da casa. N'A Palavra, busco o combustível que faz deles seres essenciais e que troca, vez ou outra, minha caixa de lápis de cor por uma aquarela vistosa só em tons de vermelho-coração-pulsante.

Pequenas cápsulas de bem-estar/esperança diário.
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Reprise - Ludov

22.8.09

congestionamento

Pessoas apressadas correm à margem do lago com expectativas físicas e emocionais. Olhada rápida no relógio-cronômetro, um jeitinho pra arrumar o fone no ouvido e pernas pro desconhecido que fica. E elas passam.

Pessoas sentadinhas, sem pressa, sem pressa, celebram a algo numa mesa enorme, média etária dos 70 anos quebrada por dois garotinhos duns oito, dez anos, no máximo, junto delas. Todas enfeitadinhas e emprumadinhas, a expectativa de vida ali é ampla. O prato principal? Mousse de maracujá com chocolate.

Na contramão dos apressados e das celebrantes, lembro das palavras daquela senhora num esforço sincero de evocar à representação de algo que só eu compreendo, ou tente compreender. E a cada vez que eu tento, as portas me mostram que o caminho com pernas pro desconhecido é longo, longo. Sempre me falaram do poder das palavras - com a capacidade que têm de também construir, embasar e desconstruir teias humanas -; às vezes me sinto refém delas. Leio coisas que já escrevi e penso no latifúndio de bobagens em que já acreditei. Leio as palavras de hoje e penso em seguir aquele conselho de quinta-feira à noite: "tem outro nome. Não existe. O que existe é o que há", simples assim, óbvio, talvez, só pra mim. Por isso que hoje eu abdico de me tornar ferida alheia, ou, pelo menos (e é só isso que me importa agora), de alimentar as minhas. Agora 'Cuidado' vem em placas de alerta, e nesse fluxo confuso eu não me perco mais. Meus olhos não deixam.

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"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos".
(Pessoa)
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In my life - Beatles

18.8.09

memória

Na infância e adolescência, na contramão do restante da sala, eu sempre gostava das aulas de gramática - mas me deliciava mesmo era com as de interpretação de texto. Seria capaz de ficar horas escrevendo numa prova de interpretação não fosse o relógio; não é à toa que eu era sempre a última a deixar a sala. Assim foi no vestibular, assim foi na faculdade, assim acontece nas duas redações em que trabalho (ok, ok, o que nem sempre é bom, admito).

Nunca esqueço quando a professora de Literatura do terceiro ano, o derradeiro, dona Henriqueta - voz baixinha e constante, uma quarentona bem resolvida em nome de senhorinha -, nos apresentou a interpretação da "pedra no caminho" no Drummond. Lembro que pra muita gente aquela repetição de palavras e colocações soava enfadonha, e pior: sem sentido. Até que a dona Henriqueta pediu que substituíssemos "pedra" por "vestibular" (naquele ano-véspera decisivo e filho da mãe), e a coisa ficou mais clara.

Fico pensando hoje pros sinônimos dessa pedra. Podia ser a tosse dos últimos dias, acalmada de duas em duas horas com uma pastilha porreta que adormece a língua (meu Deus...); podia ser tanta coisa, abstrata, humana, caótica ou não. Dor nas costas. Chuva inconstante. Gastrite. Silêncio. Memória afetiva. Distância de quem de fato nos ama, e vice-versa. Enfim, tanta palavra pra caber nesse espacinho da pedra...

A boniteza nessa aridez é perceber que se pode ver na vida uma espécie de poema que se vai construindo aqui, ali. Tem dias que as peças não se encaixam, noutros, só peças como essas que eu elenquei, em outros mais, o poema simplesmente muda e permite novas colocações e rimas. Tirando a pedra, imagino, se encontra o caminho até o jardim. Até que eles passarão/e eu passarinho. Tanta coisa pra trocar, tanta. Mas mesmo com a sensação de rampa acima que eu relatei pro amigo querido, dia desses - sabe o mito do sujeito que rola a pedra tudavida, tudavida? É o Sísifo, coitado -, algo me diz que é rampa acima a seta indicadora, não tem mais jeito. É essa a interpretação que eu quero ter, agora, é ela que me cabe. Até pra não cair na armadilha de pensar em outros poemas do Drummond pros quais eu já tive sinônimos, mas hoje, só quero antônimos. Pelo menos até a próxima interpretação...

* * *
Molho obrigatório com picles Trimedal, sem salada, sem queijo branco e uma sensação de surra no pau de arara sem pão de gergelim. Uma pastilha alucinógena pra quem adivinhar o que é isso.
Porque yo só vou saber amanhã.
* * *
Liberdade - Marcelo Camelo

16.8.09

veja você

Diante do argumento da pouca grana, me rendi ao do "a vida é curta", de uma vez só lançado pela amiga, e desencanei. "Horas que bem que podiam durar dias", pensei, no meio do semi-transe provocado pela música e pelo saquê adocicado com a mistura de frutas tropicais no ambiente fechado e pouco ventilado, lindo pra uma mini-pandemia. Que beleza, agora, pastel de feira e muitas risadas depois, ter percebido que esta e outras (tantas) neuras ficaram da porta pra fora. Da porta pra dentro, só o Jackson Six alucinado e os neo Emos providenciados no celular tiveram vez, hehe.
Apesar da pedreira, eu si divirtu.
(Mais que ocasião, hoje isso virou uma necessidade)
*
Conversa de botas batidas - Los Hermanos

13.8.09

angúsvida


Depois de tanto ouvir falar do mito de Sísifo e de ver que a pedra, antes só empurrada morro acima, agora tenta me esmagar (incrível como o corpo às vezes custa a reagir a essas ameaças), vou vendo alguns sinais difusos tentando tirar as lasquinhas dessa montanha.

Brasília?

31.7.09

The passarinhos contra a gripe

Engraçado: o povão morre de medo da gripe suína (conheço um político que tem a do tipo "equina", quase uma BRONCO-pneumonia), é dispensado de aulas nas universidades e nas escolas e não pensa duas vezes em fazer um brinde à quinta-feira nos bares lotados perto de casa. Shopping, idem. Os coletivos continuam abarrotados, ninguém de máscara. Vejo na TV que cinco estados já suspenderam o ano letivo; antes, o colega de rádio me contou numa risada maliciosa: não aguenta mais os pais ligando na rádiA reclamando da medida. Agora que a molecada tava voltando das férias, pôssa?!
*
Por falar em máscara, hoje eu recebi uma, no trabalho, e fiquei sem saber o que fazer: devolver é feio, usar em coletiva, pior ainda. Tá na bolsa, protegendo minhas tralhas do H1N1. Pensei que, puxa!, podia ter recebido na véspera, quando descia do décimo andar no elevador de um prédio comercial perto do jornal. Duas moças de uns 30 e poucos anos e um senhor duns 50 junto. A tosse que me acompanha há uns dias veio de leve - o suficiente pra que uma delas me olhasse como se eu tivesse um chifre de unicórnio da testa; olhar sutil, o dela. Já o homem, mui disfarçadamente, deu um jeitinho de simular um longo bocejo; tão longo que ele protegeu nariz e boca até o térreo. Juro: torci pra espirrar, bem forte.

*
Um chuveiro é um chuveiro? Não, um chuveiro é algo que faz você esquecer das pequenas - e muito importantes - coisas da vida. Fica sem, pra ver. Volta a ter, pra rir.
*
O cérebro deveria ter um vasodilatador pras ideias futuras em dias estressantes. Por exemplo, eu adoraria vasodilatar pro espaço a lembrança dos próximos finais de semana sem arrego proletário (multiplicada pela semana deliciosa que termina, graçazadeuzamém) e puxar pra perto só a lembrança da volta pra casa, breve-breve (quero muito mentalizar isso. Casa, breve, breve-breve, breve-breve). Quem disse que é assim, né?
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I came all this way - The Thrills

28.7.09

por quê? / pra quê?

"ignorante"
"página de papel rasgada a ser recomposta"
Duas fantásticas expressões da série "Como começar seu dia na lama e terminá-lo na penumbra da dúvida". Adquira as suas você também! Kits promocionais delivery.
ps.: não entrego nem a pau.

*
Choveu tanto, mas ta(aaa)nto, que, além das piadinhas bolorentas, estão de lascar também - literalmente, perdão o trocadilho - algumas ruas no centro, que chegaram ao paralelepípedo. De verdade: se vê o miolinho delas. Em outras, nas manhãs de neblina intensa, cena chatinha ver o pessoal passando em buraco cheio de água suja, em frente a ponto de ônibus, molhando o cidadão que aguarda piano pra ir ao trabalho, à escola. Presenciei três dessas, em menos de 24 horas.

*
Ainda no trânsito, algumas vezes eu me divirto, outras (muito mais, é verdade) me irrito bem com a capacidade do serumano aprontar aquilo que se vê nos estábulos da exposição rural, de forma mui caprichosa na forma e quantidade, mas sobre duas pernas. Gentilezas, ou, a bem da verdade, obrigações, são raríssimas. Uma das avenidas mais movimentadas daqui, por exemplo, famosa pela concentração de hospitais e clínicas, está famosa também pelos atropelamentos de gente que acabou de sair de consulta - em geral, idosos e mulheres com crianças. 'Paciente', esse pessoal buzina - não, não tem placa dizendo que é área hospitalar - e aproveita ass lombadas pra acelerar, pedindo pressa. Coisa boa, essa lombada.

Hoje, distante dali, enquanto contornava uma rotatória - e não é possível que essa regra já tenha mudado, pensei -, o sujeito da outra mão entrou com tudo, sem sequer olhar pro lado; braço de fora. Diante da reação, deve ter elogiado bastante toda a geração de progenitoras da família, mas fiquei intrigada com a cara dele, algo na linha: "o quêêêêêê, uma mulher reclamando? Se toca!", pra ser sôper fiel às expressões coloquiais. hehe. Dois dedos nos olhos, dois dedos pra ele, se liga, malandro. Es nosotro en DVD. Ali também não tinha placa de área hospitalar...

*
"Tava com 1800, agora, 4000 leucócitos. Vai dar."
Antes do dia acabar -porque o meu só acaba quando aciono os três despertadores -, uma expressão começa uma série nova que, ainda que eu desconheça por ora o nome, desfaz boa parte daquela penumbra da série velha. Oh, God, obrigada.
*

Sometimes - My Bloody Valentine

26.7.09

o quê?

Andávamos, e eu procurava aquele doce que não sabia bem qual era, mas que era importante. De repente, naquele mercado enorme, as prateleiras surgiam complemente vazias, com o branco do metal à mostra e uma interrogação, misturada a agonia, se formando pelo ponteiro do relógio correndo contra mim - a caixa me esperava, você olhava pra minha cara com jeito de "não sei o que é isso", e eu desisti de procurar.

Curioso é que tive de pagar a conta pra moça do caixa.
Faz todo o sentido.

*
Parece simples colocar na categoria de "artefatos inexistentes" aquilo que se quer deixar pra trás. Se fosse assim, não haveria tantas clínicas de terapia por aí, e tanta gente mal resolvida mundo afora. A prateleira pode até estar vazia, mas nem por isso o mercado deixa de existir.

E há artigo suficiente pra se buscar, além daquele doce que, nossa, existiu e foi bom. E ponto.

*
Tenho aprendido a encarar certas situações da vida sob um outro ângulo, não sei se equivocado ou não - o tempo vai dizer; as novas experiências, consolidá-lo ou não. Parei de me fazer perguntas, porque seriam muitas respostas não encontradas, muita revolta reprimida a me fazer mal, ou muita lágrima chata a me perturbar o sono. Ou melhor: passei a fazer outras perguntas, essas, sim, com um sentido pra existirem e se desdobrarem em respostas que vão me trazer algo bom.

Grosso modo, é como andar na feira, domingo de manhã, sentindo todos os aromas, sem me preocupar com o porquê de aquelas pessoas andarem devagar, quase parando, enquanto outras querem passar, e sem dar a mínima do porquê de minha mesa ter de ficar bela com o ramalhete que estou levando dessa vez. Eu a quero assim, e constatar isso, depois de tanto tempo, não apaga nada, nada - eu não seria tão imatura de passar um errorex na vida -, mas é um baita alívio.

[Pisar no ramalhete antigo não faz do novo mais atraente, não no meu caso]

*

Un dernier verre (Pour la Route) - Beirut

22.7.09

mouse pad

Quem me conhece sabe que noção de localização não é lá meu forte. Dizem que, por questões biológicas, isso é algo que acomete a mulherada de uma forma geral, mas conheço muita gente sem pipi que se vira muito bem quando a pergunta do auto-lead é o 'onde?'. Enfim.

Numa passada de três dias pelo Rio de Janeiro, na última vez que fui pra lá, eu e uma amiga demos umas três voltas no Leblon até descobrirmos que o trecho percorrido era o mesmo do início - nas três vezes. No ano seguinte, sozinha, no Ibirapuera, cheguei a ter uma nesga de credulidade na existência de dois obeliscos, mas a ficha caiu. Debaixo de muito sol, longos minutos depois, mas caiu: consegui me perder lá também.

Celular esquecido, hoje, e resgate noturno com toques de "vamos ver no que dá essa merda". Mudei completamente o trajeto e fui parar num local ermo, sem uma viva alma a me dizer que pedaço de Londrina era aquele. Num botequim vários quarteirões adiante onde garotos bebiam, a resposta: "Só subir à esquerda e virar à esquerda de novo, tudavida". Continuei andando sem saber onde ia dar (impressão, ou o breu aumenta quando se está perdido?), mas, gozado, sem receio. Sabia que mesmo que demorasse, ia me safar daquela bobagem a tempo, ao menos, de a luz da reserva não piscar.

(Sensação tão diferente daquela dos 5 anos, quando me perdia no supermercado. Achava que nunca mais ia passar.)

Como no Rio, o desvio de rota de hoje acabou me deixando somente algumas quadras adiante do local de onde eu nunca havia saído, mas que achava ter atravessado duas zonas distintas da cidade. Rodar, rodar, e cair no mesmo local. Isso soaria familiar, não fosse a leveza que a vida vai trazendo, aos pouquinhos, daquela ideia de que uma hora a rua certa pra virar à esquerda, ou à direita, vai aparecer diante dos olhos, caso não se estaque no meio do caminho. E o breu vai ser só mais um traço nebuloso de imaginação, cenográfico, quando se olha para quanta luz há em volta.
*
Preciso de resistência nova. Eu, não: meu chuveiro.
*
As prateleiras do sonho estavam vazias, completamente vazias.
*
As horas de sono são tão importantes quanto uma resistência nova pra (ahá) "GorDucha". Assim, é só isso que quero agora em uma das prateleiras. Pras demais, eu vou pra outra pergunta do lead.

21.7.09

por exemplos

O dom com as mãos, herdado de gerações, mostra a ela que ainda há muito por fazer. Muito a que se agarrar. Muito a ofertar, porque há quem o receba. E nada no mundo pode apagar isso da memória, que é passado, mas também presente.

Minha mãe é uma mulher de fibra, e, se tenho muito ainda a aprender pelos anos da vida afora (30? 51? Menos ou mais de 100? Não importa), cara nas portas ou flores às mãos, creio que essa lição já aprendi. Venho aprendendo, desde que me entendo por gente . 'O vento pode até nos vergar, mas quebrar, não', insiste ela comigo. Eu tento, mãe - enquanto, do seu lado, sei que não desiste de mim.

E o mais bonito disso tudo é que aprendemos juntas, não importa os perrengues que uma ou outra estejam passando, ou tenham passado. Esse amor é eterno. E ao contrário do que o mundo tenta ensinar, dura ainda que o caminho seja espinhoso. Talvez por isso valha o nome.

*

16.7.09

porque viver é sobre

Na mesa da frente, a família reunida em torno do jantar - as crianças puxaram à mãe, facilmente se percebe - me enche de dúvidas. Outras.
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Na cadeira da frente, palavras que me dissolvem certezas e me ajudam a transformar nós em pedaços rasgados de respostas, colados pequenininhos, até se formarem pequenas teias, quiçá retalhos, de um tecido com o qual quero me familiarizar.
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No trânsito, uns seguem sozinhos, outros embalados por cafunés. Sinto os olhos pesarem, mas não são as luzes depois de tantas horas ao computador: é um casal de vovozinhos tentando, a todo custo, empilhar as últimas peças de lixo reciclável na carriola que seria puxada (imagino) ainda por um bom tanto. Por um instante penso no quão relativas podem ser a solidão e o contrário dela.
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Precisar de cuidado nem sempre é o que parece. As formas de manifestação, por vezes, são tão (ou mais) importantes quanto o cuidado em si. Os olhos e ouvidos treinam pra que o coração não se engane. O coração treina pra não tropeçar em tanta buraqueira dessa vida, tampouco pra preencher essas frestas com betume: basta desviar das lacunas, enormes.
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Comprei meias de algodão pra minha mãe. Várias delas. Brancas, mas com um filetezinho de cor - uma diferente pra cada um dos oito pares. Peguei pra ver se eram felpudas de verdade ou felpudas inimigas da máquina de lavar; não era esse o caso. "É pra sua filha?", me perguntou a vendedora que teve de conferir o código de barras com outras meias, do tipo soquete (não eram aquelas que eu queria, muito superficiais pro frio). Respondi com um "não" encabulado, mas que me deu uma pontinha de calor humano por saber que "eu" sou a filha e que aquele não era fim, mas meio. Meio, não: eu diria que era uma das formas daquela manifestação tão abstrata, e, ao mesmo tempo, tão real ao coração. Na trilha certa, então, com sorte as lacunas passam bem ao longe.
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3 times and you lose - Travis

13.7.09

break

Planos de reativação minados por mais uma daquelas crises maravilhosas de enxaqueca que derrubam e fazem a gente pensar nas saudades dessa vida tosca.

Hoje me deu uma saudade sem tamanho da minha mãe. Saudades também de um tempo que passou, mas que custa a ter feridas cicatrizadas. Saudade de mim.

Londrina, 15 graus. Sensação térmica de 3, negativos.

11.7.09

sábado de chuva, chuva, chuva

Pensando em reativar isso aqui.
Tô reativando minha vida, por que não também o blog?

15.8.08

sublingual pra super trouxa

Coisa mais bonita de ver o nadador chorando na água pela medalha sonhada por tanta gente. Tão discreto. Um vencedor, no sentido amplo da palavra.

* * *

Na vida de estudante de curtíssima temporada, me assusto com as opiniões de gente que deveria formar cumpridores da legislação acostumando-os, desde cedo, com a lazarenta idéia do jeitinho: 'com o tempo tudo se minimiza', ele explica, 'porque nada nesse país segue a sério com afinco, esmorece'. Jesus, como achar que o problema está só em Brasília, com esse tipo de atitude?

* * *

A lua. Técnicas avançadas de como se deletarem arquivos (ainda testo a eficácia das mesmas). Aqueles dois amigos que eu amo como à irmã que não tive, ou como um irmão mais velho, tão carinhoso. Clonazepam. E alguma sanidade - o suficiente pra eu sustentar os vícios e necessidades do capitalismo. É disso que preciso.

* * *

random: Minha herança: uma flor - Vanessa da Mata

6.7.08

insônia

Enquanto eu testo o novo equipamento, me lembro do sujeito que achou a coisa mais normal do mundo a peça da loja dele custar quase o dobro que o registrado a poucos metros dali. Pensei em quem se submeteria a isso - será que o faz conscientemente, ou não? O pensamento logo some. O sono é forte demais.

Ando. De repente, percebo que não tenho aquela vontade de olhar quem está passando ao meu redor, tampouco de cruzar com o pensamento de quem atravessa o caminho à minha frente. É o horizonte frio do ponto-cego - só este - que me interessa. A cabeça, longe, às vezes lembra de novo que o sono é forte demais (assim como a lembrança do olhar outrora tranqüilo, a qual teimo em nocautear: duas fechadas de pálpebra e uma idéia cruel, e ela se enfraquece de novo). E eu volto à minha condição.

Senti o amor como achei que não sentiria, no que de bom e ruim ele pode ofertar (se é que, sendo amor, traz mesmo consigo este ranço). Um sono terrível me fez acordar agora pro medo que, este sim, não prega os olhos: saudade tem cura?

(escrito em 5/7/08, sábado)

* * *

Supersonic - Sonic Youth

1.7.08

Será que a vida um dia deixa de ser essa onda besta de interjeições?

1.1.08

pequenas certezas que aquecem e gelam a gente

Primeira noite do ano. Falta algo aqui.
Primeiro post do ano. Falta assunto? Não, falta o ímpeto de escrever tudo o que penso, com todas as confusões que me aceleram o coração, gelam minhas mãos e me dão aquela sensação de que não, não posso planejar o dia de amanhã.
(Bem que eu gostaria.)
Gostaria de segurar sua mão e andar - sem rumo, sem prazos, sem senões e sem fantasmas. Mãos dadas com a certeza da pureza do sentimento, com aquela vontade da dedicação e do zelo.
Que é o zelo?
Dedicação a quem? A quê?
Bem sei: o coração não mente as respostas que guarda para si.

* * *

random: Descansa coração - Fernanda Takai

9.12.07

Receita

Pegue os cacos do coração. Cole os cacos do coração. Transforme-o em um coração que (novamente) bata de verdade, não em um que meramente sobreviva.

Junte as memórias, selecione todas que devam ir para o liquidifica-dor e deixe em repouso. Depois de um tempo, é só pensar que memória é o agora que, já amanhã, se transformará em ontem. O que vem de antes do agora pode desandar a mistura pelo coração que (mais uma vez) bata de verdade.

Enxugue aquilo que insista em tentar desandar o espírito empreendedor de quem se empenhe na tarefa. Sugestão: use o conteúdo umidificante ao liquidificar as memórias; talvez seja relaxante. Mas não garanto. (grifo nosso)

Esqueça o banho-maria: essa receita carece de agilidade, ou a colagem não será a necessária para o resultado final.

Sirva-se, se puder.
Porque eu não posso. Não me - EU, é fato - enxergo ainda o suficiente.

* * *

Os sonhos nem sempre são os mais reconfortantes; pelo contrário. Alguns deles têm a capacidade de me deixar triste um dia, alguns dias. Bendita saudade.

Alguns sonhos, contudo, podem ser, ainda que tristes, mais leves que a realidade que se avoluma sem chance de sonhar acordada. Eu bem que tento, mas o guardião do portão lembra que, em vez de chave para entrar, eu preciso mesmo é de um liquidificador.

* * *

Horizontes se fecham, horizontes se abrem. E a vida vai.

* * *

random: Oração ao tempo - Caetano Veloso

24.9.07

(anti)biótico

O inchaço fica do lado esquerdo. Bem do lado esquerdo.
A certeza de que o melhor de mim corre ralo afora também fica do lado esquerdo. Lado esquerdo tão involuntário, que, talvez por isso, às vezes eu tenha vontade de chamá-lo desprezível. Insensato. Estúpido.

* * *

Até quando um coração bate no mundo?

* * *

random:Close to you - Carpenters

18.9.07

cratera maciça

Quando entrei em casa, hoje, a fresta oportunista da persiana mostrava a lua linda no céu. Iluminava uma parte daquele mundaréu negro, mas em arredores tímidos: parecia meio enevoada, apesar do aspecto crescente.

A névoa rodeia a lua, embaça as certezas. E eu sinto que meu organismo precisa de alimento só porque o estômago dói - não há fome do alimento, nem prazer no consumo. Digestão enevoada.

O pensar no amanhã (minha prisão de tanto tempo) volta a rondar e se me lembra o quão ambíguo ele pode ser. Querer pensar, precisar pensar. Pensamento enevoado.

Ao telefone, a voz amiga tenta me convencer de que a lua pode, sim, ter um anel de luz em torno dela permanentemente. É preciso "ter paciência"; eis a receita que desconheço. Volúpia adormecida, volúpia enevoada.

Agora, queria ser a névoa em torno da lua linda.

*

random: Live Forever - Oasis

16.9.07

e é tão grande

Dizem que as feridas cicatrizam. Que o coração se acostuma.
Será que alguém de fato acredita nisso?

* * *

"Sou um coração batendo no mundo."
Será que Clarice me permite acreditar nisso?

* * *

Porque você não permite.

* * *

random: Apenas mais uma de amor - Lulu Santos

29.6.07

às vezes, a vida é simples que dói.
às vezes, parece um pinhão chato de descascar. só de descascar.
às vezes, ela é como as nuvens mais altas do céu, encobrindo os raios solares mais bonitos.
na maior parte das vezes, é um mistério.
de sensações. sentimentos. predicados. contrasensos. e de saudade, essa bandida que me acompanha desde sempre.

* * *

random: Heinrich Maneuver - Interpol

27.5.07

this is not a song

Eu já torci pra que pedras se transformassem em pedregulhos, e pedregulhos, em grãos de areia. Hoje, torço pra que a tempestade de areia se transforme numa brisa que não me intimide a abrir os olhos pela manhã. É muito ruim a sensação.

* * *

É ruim também você chegar à conclusão de que consciência tranqüila pode colocá-lo em verdadeiras frias. Hoje não me sinto madura o suficiente pra lidar com isso - volta e meia, algumas situações da vida me apertam o peito e me dão medo, um medo estranho porque me dá vergonha de expô-lo. O resultado é sempre aquele sentimento que me acompanha desde sempre: qual minha função no mundo? Felicidade plena existe, mesmo? Que caminho tomar, dentre tantos, e em tantas esferas da vida? Perguntas sem resposta. Eu acreditei até há um tempo que seria a melhor analista de mim mesma - hoje, é dificil não acreditar que é o mundo que precisa de análise, mas se recusa a receber.

* * *

É como se o caminho torto fosse a reta da direita, com uma placa indicando "perigo - mas siga adiante".
É como se tudo o que eu sonhei como forma de vida me mostrasse uma face que, embora não de todo desconhecida, se revelasse mais feia do que eu podia supor. Como uma tempestade de areia.

* * *

Na reta oposta, a placa que me ajuda a abrir os olhos, de certa forma. "Feche os olhos e sinta-se a salvo".

* * *

r
andom: The magic numbers - This is a song
I lie awake in the dark
Lost in the beat of my heart
Well baby look over your shoulder
you're not alone in this love

4.5.07

primavera no outono

Porque, apesar de tudo, tem sempre uma luz chamada afeto no fim do túnel - um par de meias quentes numa noite fria; uma lembrança viva o suficiente pra afastar a solidão.

Porque, apesar de tudo, você acorda e sorri - deixa pra lembrar da adversidade quando, nota, ela já nem é tão grande assim. Ou, pelo menos, não afeta tanto quanto o afetava há um tempo.

Porque sente o que de fato quer dizer aquela palavra tão portuguesa, e tão cheia de sentido somente ao ente querido. E porque, percebe, é um sentimento que em dose aplacável a curto prazo pode ser até instigante aos sentidos. Aplacável; findo, jamais. Feliz ou infelizmente? Nunca vou saber.

Por isso tudo - e mais um pouco bem generoso - a gente "escarafuncha" a vida, e, querendo, transforma os paralelepípedos em pedregulhos. Quiçá, em grãos de areia. O importante é não tropeçar neles. Eu juro que tento - pelo menos já tenho os pés aquecidos, em caso de friagem.


* * *
random: Double Feature - Camera Obscura

25.3.07

desfibrilador! desfibrilador!

Um dia eu escrevi nalgum lugar sobre a paixão pelo coração tranqüilo.
Mas o coração descompassado é que me mostra, na verdade, o quanto estou viva.

* * *

random: Fico assim sem você - Adriana Partimpim

20.3.07

on/off


Quando eu era criança, capa da invisibilidade e máquina do tempo eram as grandes piras por uma nação mirim mais feliz. Ê, se eram.

Na adolescência, o decodificador de pensamentos até me soava como uma boa aquisição no bloco de três pedidos ao gênio do copo d'água. Não, eu não usava nada de ilícito, apesar de o vício em café ter se consolidado nessa fase - mãos trêmulas em dias de prova, cruzes, que o digam -, apesar de eu ter gostado, e bastante, de curaçao blue com sorvete de limão. Céus.

Algumas decepções me alertaram pro perigo de um decodificador desses; a máquina de teletransporte ganhou espaço (a bem da verdade que eu ainda gosto de "De volta para o futuro", portanto,...) e eu enfim sosseguei na condição de reles mortal: passar no vestibular estava de muito bom tamanho. Sair dessa fase, idem.

Hoje, eu ficaria bem satisfeita com algo que me lembrasse - e funcionasse como, claro - um desfibriladorzinho de sentimentos, se é que dá pra se chamar assim. Basta programar, que pronto: você não se importa com o que não deve; não se chateia com aquilo que, depois, viu o quão bobo era; não liga a mínima se fizeram seu coração em pedacinhos bem miúdos com uma palavra, um olhar ou um gesto. Não se ilude com adjetivos, não sofre com os advérbios. Ah, os advérbios...

No contraponto, uma das muitas programações do dispositivo possibilitaria a você sentir (na dose ideal pro chamado "dia de se registrar pra sempre na memória") como que um detalhe às vezes tão irrelevante pode ser mágico, dependendo do ângulo de que ele é avistado.

Não haveria sobressaltos: só quando eu quisesse - e quando quisesse, parariam num apertar de botões.

Não haveria mau humor, tampouco inconformismo demasiado - mas neste último ainda vejo um lado positivo. Creio que o desfibrilador, aqui, seria ambiguamente perigoso.
Enfim, não haveria distorções. E eu seria pra sempre feliz.

* * *

Hoje começou o outono. E só hoje me toquei que nasci na estação preferida e que posso, sem culpa de incoerência, responder "quantas primaveras" completarei. São estações aparentemente opostas, mas, pra mim, se completam de algum modo. Pra perceber isso eu ainda não preciso de nenhum desfibriladorzinho de sentimentos, tá bem?

* * *

r
andom: Lover I Don't Have To Love - Bettie Serveert
You write such pretty words
But life's no storybook
Love's an excuse to get hurt
And to hurt

9.3.07

vaporeto nele!

Poxa. Esse blog, que um dia foi quase diário, agora tem atualização praticamente anual. Mais um pouco e ele segue a regra da CNH, pode crer.

* * *

Fazia tempo que não passava aqui, e qual não foi minha surpresa ao notar, pelo contador, que há gente que tem passado mais que eu? Fui lembrar do empoeirado, esses dias, quando uma amiga pensava em nomes praquele que deve, eu espero, ser um blog futuro.

Meu capetinha-caramunhão me diz que quem vem aqui veio sem querer, pelo Google. Meu anjinho-poliana diz que não: são os antigos (iiiiigos) leitores de anos passados. Coitados, um dia perderam tempo aqui.

* * *

Engraçado como o tempo passa - rápido, cada vez mais rápido - e algumas emoções, olhando agora, só mudam as vestes. Aquela música, aquele vazio ou aquela euforia, aquela sensação do lead infinito sem resposta não são tão diferentes, apesar de as situações mudarem um bocado.

O que me parece cansaço físico, às vezes, se revela uma vontade tão inexplicavelmente grande de dizer 'chega' a algumas situações que esgotam que coloco a mão no peito e vejo o quanto ela pula, embalada pelo músculo-bombeador. Outras vezes é a gana pelo 'sim' às que, quando menos espero, fazem eu me sentir ridícula por perceber, num dado momento, que estou ali perdida há minutos, pensando, lembrando, feliz.

Pensar demais, dizem, é sério demais, pois pode mover muros em direção ao meio do caminho. Se eu não agisse assim, imagino que os muros hoje estariam 1-) derrubados, substituídos por jardins, ou 2-) protegendo pra sempre uma casca de ovo.
Mistérios da meia-noite.

* * *

Mais de um ano depois, porém, adversativas como essa vão ganhando um sentido mais luminoso no meio de expressões queixosas. A vida é um filme por vezes cansativo, mas sem problemas de territorialidade na divisão daquele bendito braço único de poltrona.

Sim, sim.

* * *

random: Until the end - Norah Jones
Like a child, you forget,
But I remember everything...and every sting.


11.1.06

Há um bom tempo, achava que escrever seria bom pra eu tentar entender, pelo menos em parte, o oceano revolto que subia e descia dentro de mim, às vezes causando estragos dentro e fora da superfície. As experiências de vida me fizeram ver que ser escutado e aprender a escutar também seriam ferramentas importantes no processo.
Uma música, um conselho, uma palavra boa - e até uma palavra ruim. Valeria tudo.

Hoje, aos 25 anos, descubro pasma que nem uma coisa nem outra são capazes de me trazer a resposta que buscava. Escrevia, escutava, escrevo novamente, e a sensação é que nem eu, nem ninguém vai conseguir decifrar cada onda gigante.

* * *

Às vezes a gente idealiza tanto a felicidade que até se esquece de notá-la em momentos sublimes, porém singelos. Ouvir sua banda preferida tocar Aquela música à sua frente, ante ouvidos lindamente pasmos, ou ver aquela pessoa que você tanto estima realizar um sonho, são sinais de que as coisas podem, sim, ter um jeito.
As suas lágrimas, os nossos lusitanos queridos, aquele casamento entoado desde o início como uma bela canção - e eu preciso de mais sinais?

* * *

random: No meu jardim / Sementes à terra - Madredeus

20.5.05

suspiro.sem.açúcar

Como uma amiga escreveu dia desses, às vezes a gente se pega nas chamadas sinucas de bico. Olha pra um lado, olha pro outro, mas estão só eles lá: a caçapa ameaçadora, o taco impiedoso. E a bola preta mandando uma banana bem grande, irônica, lembrando que você é só mais um naquele palco verde de vergonha.

Lá pelos 8 anos, tinha certeza de que queria ser dentista. Talvez pela admiração pela 'tia' que cuidava dos meus dentinhos de leite, sei lá. A relação com a diabetes de minha avó, a rotina em hospitais que isso gerou e mesmo o sonho dela de me ver médica, no Hospital de Botucatu, me incutiram outra pretensão de gente grande - e tola. Sem poder ver sangue, muito menos sem sequer poder imaginar uma sutura, a idéia caiu por terra bem em cima da hora, fim do colegial, como tinha de ser comigo. A hipótese de que um velhíssimo hábito pudesse sacramentar uma forma de vida tocou fundo, abracei o jornalismo e tive enfim aquela certeza irretocável do que queria, finalmente, me tornar para a vida.

Dois anos de formação acadêmica depois, hoje eu tenho a certeza do que não quero ser, em hipótese alguma. É como na religião: há o sagrado, há o profano. Me imaginar lambendo chão ou tendo de recuar daquilo em que acredito, misturado à sensação de que o que é ruim pode piorar ainda mais, atordoa. Aniquila. Entristece. Decepciona. Ata.

Sutura é o de menos, pessoa.

* * *

random: Cuide bem do seu amor - Paralamas

11.11.04

O sono e suas malandragens

Eu ia postar, mas mudei de idéia.
Vi no Orkut um povo elogiando a Norah Jones porque ela é morena (!!!) e isso me tirou qualquer ímpeto de.

Pff...

* * *

Escreveu Janaina, princesa-interventora da Incoerência. Afinal, isso aqui não deixa de ser um post!

* * *

(já que é assim...)
Bauru-City, Campinas-Gate, Sampa-som, aqui vou eu. Que meu salário dure até Trindade, que minhas neuras me deixem em paz nesses 30 dias. Aliás, que elas fossem presas em uma colônia penal agrícola (carpindo data, carpino data, ordinárias!) bem longe das minhas vistas. O que os olhos não vêem ... , lembra? Eu lembro da frase!
Férias pra que te quero!
Pijama e cama também!
He!

* * *

random: She - Norah Jones
faixa do DVD inexplicavelmente posta fora do CD. Acinte, minha gente, acinte!


10.9.04

oh, céus. oh, vida.

Hoje eu estava super feliz, super mesmo.Aniversário de gente quietinha, mas bacana; reunindo gente bacana que não saía com a patotinha há tempos; em lugar bacana. A caipirinha de morango e abacaxi, então, bacaníssima.

Não sei se é mal da profissão ou do gênio mesmo, porque não me lembro se quando criança ou aborrescente eu era assim. A verdade é que ando vendo segundas intenções em certas coisas que me falam ou fazem, de forma que, acredite, acabo interpretando algumas mudanças bruscas de atitude de um jeito que eu não queria que existisse. A dúvida é uma merda, não tem coisa pior que ela. Principalmente quando envolve gente querida, mais ainda quando é gente que, a despeito do adjetivo anterior, já deu decepções e sorrisos de monte - não exatamente nesta ordem. Não mesmo.

* * *

random: Can't stand me now - Libertines


31.8.04

quando te virarem a cara, põe a tua no travesseiro
Sabe aquela sensação de ter nascido no dia errado, na hora errada? O que se faz então quando isso volta e meia resolve (re) aparecer? Janaina=tonta.
* * *
Ah.
* * *
Começaram a brigar aqui em frente ao meu prédio. Da janela do sexto andar pude ver o rapaz que berrava e chutava a porta do carro do outro (danem-se o silêncio da madrugada e a noite de sono de quem trabalha) erguer a arma e apontá-la pra cabeça de outro. Nisso chega a polícia, que vem um quarteirão antes com a sirene ligada, que fica 10 minutos no local, com três (TRÊS!) viaturas, e que vai embora em seguida, dando um tapinha nas costas do berrão. Incrêvel, minha gente.
Pior que isso, só ter a certeza de que se vai de novo acordar com enxaqueca e com jingle eleitoreiro daqui algumas horas.
Férias de Londrina, é disso que eu tô precisando.
* * *
random: Sand River - Beth Gibbons e Rustin' Man


17.8.04

Terça Tilt

Bar Valentino, hoje, 22h. Eu se fosse você não ficava vendo "A Diarista" - a biboca vai ter gente bacana te esperando, especialmente do balcão pra fora.

* *

Yés. Sucumbi à adrenalina do evento.

* *

random: There goes the fear - Doves
ou a "banda sabonete", nas palvras de alguém que infelizmente não vai ver minha estréia do balcão pra dentro



19.7.04

Cadê o espanador?
 
Eita poeirão, sô.
Quem serão os cinco felizardos que entram aqui todo dia? Desde já, meus cumprimentos e meus sinceros so-so-sorries, 'cos I'm a lazy, Lord.
 
*****
 
Há uma semana tento abrir meus emeios e não consigo. "Error" --> ê, palavrinha horrorosa nesse mundão de internet.
Por falar nisso, 11 em cada 10 matérias que elio sobre o Orkut dizem que é fácil, fácil viciar na coisa. Terá a pequena Janaina no mundo encantado das fibras se purificado dessa vida de vícios (ô...)? Oh, será?
 
(desde já ela informa que Café não se enquadra nessa classificação.)
(desde já ela informa que Saudade idem.)
 
*****
 
Mudanças. O que seria da vida sem elas? Tomara que.
 
*****
 
random: Sentimental - Los Hermanos
 
 

18.5.04

que o nono lugar seja chamado logo

All my life I felt so uptight,
Now it's alright.


**

Hmm. Esse now ainda me engana, se eu não for esperta.

**

Sabe qual o lado ruim de se sentir sempre naqueles picos de sentimentos? As partes baixas. Ainda mais quando elas recebem golpes da mesma natureza.

E o pior: quando elas são socadas até você sentir muita, mas muita dor, sem saber o porquê daquilo estar acontecendo. Mais que estranho, decepcionante.

Quando eu era criança, queria ser adulta. Quando cheguei aos 21 anos, uma crise nem tão passageira me despertou pra algo que talvez eu ignorasse quando usava fraldas e chamava a mamadeira de "delícia": a maldade de gente grande é diretamente proporcional ao tamanho do corpo. Puxa, como eu era ingênua.

**

Pra aquecer o coração, Fernanda Takai cheia de ternura com um John bem carismático no palco. Ave, mineirinhos, só vocês pra me fazerem esquecer dos desgraçados 6 graus ao relento.

**

random: pois é, né.

1.5.04

pausa do café

Há pelo menos um ano eu ando de bar em bar ou congênere, aqui em Londrina, perguntando aos garçons, com cara de cachorro sem dono, se o distinto estabelecimento serve suco de melancia. Nunca serve, nunca tem, alguns até riem.

Uma semana combinando de ir tomar o tal suco num lugar 100% de certeza de ter o bendito líquido (uou, quantas emoções nessa minha vida), hoje me calha de estar frio. Taqueopariu.

* *

Feijoada de sábado é bom, mesmo quando é a alma que precisa de alimento.

* *

random: Ticket to ride - Beatles

24.4.04

Escorpião - 24/04

Aproveite estes dias para agitar sua mente. Neste final de semana você terá ótimas possibilidades de ampliar seus conhecimentos e divulgar suas novas idéias a respeito do que você é e faz. Faça seu automarketing, mas sem exageros. Seja você mesmo e terá bons resultados.

- Automarketing?


A liberdade de ser como você quer ser pode ser o grande motor criativo de hoje. Ela se apóia num entendimento mais profundo de um rumo que precisa ser seguido por você. A única maneira de ter segurança e manter seus limites firmes é aceitar o peso de que é você mesmo quem escolhe seu caminho. Isso não é um processo que começa hoje, mas que se agudiza.

- O entendimento de um rumo é tão profundo que, creio, já perdi. Enrolado esse rumo, até me agudizei nele.


*

Uau. 15 horas de sono depois, ainda tenho a pachorra de ficar com preguiça. Coisa mais feia, minha filha, toma tento.
Pelo menos, uma coisa retomada: les études.
Estranho você ter contato com uma língua durante dois anos seguidos, quatro vezes por semana, praticamente, e sentir o cérebro cansado ao ler umas laudas de nada, nela, após uns dois anos.
Mas é isso. Se quiser voltar, tenho que recordar o básico do retardado, ao menos pra não passar vergonha na entrevista de nivelamento. Terrible, n'est pas?

*

Olha só: a desvantagem de ler um blog é essa. Garanto que nada disso interessa a ninguém mais que a mim própria; perda de tempo, você mui justamente poderia pensar.
Se tal pensamento me tomasse de assalto antes de iniciar o post, mais vezes, já tinha tomado coragem de acabar com isso tudo. Covardona.

*


random: Vanessa da Mata - Onde ir
Certeza que, se pudessem escolher, minhas cordas vocais pediriam esse timbre de presente.

21.4.04

pequenos-grandes-enormes feitos

O bochecho durante a escovação dos dentes exige uma força descomunal.
Secar o cabelo é tarefa que não requer menor dose de coragem.
Ler desengonçada no sofá, então, pode ser algo somente imaginável. Ainda assim, nem isso eu consegui (meus pensamentos, quando NÃO quero, são deveras reais).

* *

O torcicolo em si consegue ser ainda mais feio que a palavra.
E olha que, quando criança, já ouvi até torcicoloR. Mais bonitinho, impoCível.

* *

Feriado de quarta-feira? Calma lá, sem reclamações. Como me lembra meu amigo Murphy, é só não esquecer que 1º de maio cai num sábado.

Assinado Janaina, a perversa de pescoço torto.

* *

Ôxe bichin. Lascada de arretada que só, afmãe. Mas Gelol fede, então eu fico com o tempo.
(melhor remédio mesmo? Jura?)

*

random: Pretenders - I'll stand by you

18.4.04

sem título, sem, sem, sem

Uma chuva inconstante cai lá fora.
Na tevê, o mocinho da previsão diz que vai ser assim a semana toda, e eu não entendo. Ora ela cai, ora o sol volta a estapear a cara da gente naquelas infames e negligentes duas da tarde.

Não tenho tido mais vontade de escrever. Na verdade, até tenho - mas logo o pensamento é censurado com uma reprimenda horrorosa do "vá fazer algo que preste", blabla.

Não gosto de pitos. Quando vejo uma mãe no mercado, por exemplo, passando aquele esfrega na criança, espremo os olhos e saio de perto. Mesmo assim, minha cabeça poderia facilmente passar por aqueles jagunços de novela das oito açoitando o couro de quem faz as coisas erradas. No caso, meu próprio couro. Apesar de nem sempre eu conseguir me estabelecer o tal julgamento.

Dizem que é pior se arrepender das coisas feitas que das não feitas. Aí eu vejo duplo sentido nesse ditado e tomo mais uma chibatada. Oooa, aprende.


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C'est une gomme.
Ce sont des amis.
Je t'aime, et toi?
Moi non plus, mais je pense que je veut sortir.

Francês é uma língua tão bonitinha, às vezes tenho vontade de conversar nela com alguém que me entenda. Pode estar nos planos de ontem uma volta aos estudos, vamos ver.

* *

Eu que não lia há um tempão estou acabando a quarta leitura. Até agora, não senti o alívio que me disseram que sentiria - "ler é tão bom, e ainda ocupa seu tempo com coisa útil!", balbuciou alguém.

Imagina. Ler deve ser tão bom se você esquecer que existe uma vida além da capa, detrás da porta da sala.

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random: Good woman - Cat Power

7.4.04

new old post


Hoje eu reuni uma pequena muvuca (pequena mesmo), pus pra assar muitos pães de queijo (muitos mesmo), fiz Aquele chocolate quente que só eu sei fazer (o mundo é bem melhor com Chocolates Nestlé!), assisti a "Legalmente Loira 2" e à final do Big Brother 4.

Amanhã entro em dieta - com livros, rúcula e mais um pouco daquela dose constante de solidão. Que amargo na boca.

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Bus na quinta à noite, acho.
Três ou quatro dias da mais pura familiaridade; adeus apartamento single, do qual não sentirei a falta. Acho.

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Tédio.

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random: Não vá ainda - Zélia Duncan
Semana que vem é especial, sabemos.

6.4.04

tomô?


Cinco dias da mais pura enxaqueca. Quem viver, verá.
E quem quiser um pouco, eu cedo.


28.3.04

diz-me com o que sonhas

Cheguei da prova e deitei-me um pouco. As quatro horas de sono da madrugada foram prontamente solícitas em exigir mais algumas; obedientes, meus olhos não ousaram contrariá-las.

Uma hora e 40 minutos. Sonhei com você esse tempo todo, ou somente os milésimos de segundos que a ciência tenta explicar. Não importa, suas mãos seguraram as minhas, ternas, amigas, com carinho suficiente pra espantar o gelo que se juntava nas bordas, dia após dia. Derreteu-se e logo tornou-se escaldante; no peito, o coração batia num misto de rapidez absurda e incredulidade pela situação. Mesmo em sonho, às vezes eu me espanto com minha imaginação.

No telefone, uma voz também sonolenta do outro lado me deu novamente vontade de dormir.

Que sol desgraçado.

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random: The New - Interpol

11.3.04

pra não dizer que não falei de caules

Pois é, né. Imagina só uma coisa dessa.

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Ulha só: as minhas costas nu8nca doeram tanto em uma mudança. E manja que ainda nem fiz a faxina no ap novo. Aceito voluntários.

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Mentira. Aceito não. Ninguém merece.

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Ver as pessoas que eu amo felizes me deixa melancolicamente feliz. Por que não pode ser sempre assim? Han?

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Cansaço, credo. Vida a sós está sendo um tanto estranha, espero que eu me acostume.

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random: Sister Renée - Ed Harcourt


3.3.04

Acho que amanhã não chove, héin?

Viagem longa espera cara quase-pálida este fim de semana novamente. Apesar de rápida (a estadia, não a quilometragem rodada), há indícios de que será divertida.

Se cara quase-pálida tiver sorte, não volta. Ou melhor, volta e parte, em breve.

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Cara quase-pálida ainda fica doente de ver certas coisas e não poder abrir a boca como gostaria. Antes que isso aconteça, ela afirma que prefere trabalhar na praia.

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É sim.


2.3.04

Pois é. Puta sol, né?

Entrevistei esses dias um senhor de 69 anos que vive há 50 deles em cima de uma cama, vítima de febre reumática. O otimismo e a esperança que ele destilou com a vida, na longa conversa que tivemos, me fez ter até vergonha das tantas coisas pelas quais reclamo e que, perto de outras, não são praticamente nada.

Aí eu penso que isso seria subestimar a minha vontade de que tudo melhore, e mudo a forma de ver o que tava vendo há segundos. Aí, pimba, eu vejo que tenho uma saúde excelente (viu só, rinite desgraçada, eu te perdôo) e um emprego que pelo menos me paga uma vidinha básica em Londrina ... e mudo de novo.

Aí, ouço de pessoas queridas que pessoas malvadas fazem malvadezas pelas costas - prejudicando e fazendo gente que eu adoro sofrer, sofrer um monte - e sinto uma tristeza grande e um desânimo gigante de novo. Não tem como não reclamar desse mundo animal.

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Eu odeio vocês, trogloditas covardes.
AH!

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Notinha Mental:

Big Fish é um filme porreta, bacana, fofo, mesmo.

Notinha Mental2:

Cidade de Deus não ganhou necas? Oh, what a surprise.


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random: You've got her in your pocket - White Stripes


17.2.04

É sim

Tomei uma decisão que pode ser uma puta quebrada de cara, mas que não pode mais ser adiada.

Puta que pariu.


12.2.04

At the silencie, just a noise

Ouvir - e ver - Teresa Salgueiro cantar ao vivo já é uma experiência registrada pra sempre na alma, goste você de música portuguesa ou não. Por quê? Porque ela canta com alma, só por isso.

Ôxe, Janaina.

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Eia.

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Pum. Catapum. Splash. Soc. Poc. Tóin.

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Onomatopéias eram tão divertidas ou a exclamação delas ou a ingenuidade minha que me faziam sentir isso?
Dúvida, oh dúvida.

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random: O Paraíso - Madredeus

11.2.04

Eu sei

Preciso voltar a dormir minimamente cedo, com uma vontade mínima de acordar cedo no dia seguinte.
Faz anos que não levo a vida que estou levando, com manhãs estranhamente livres. Isso me dá um sono constante, uma angústia de ver o tempo passando enquanto eu ainda sou jovem e tenho forças - que contradição, não? -, uma saudade terrível de quem eu gosto. Seja de pessoas que eu vi mês passado, ano passado, seja das que vi tarde passada. E tenho uma vontade enorme de abraçá-las e sentir que minha mente é que cria certos fantasmas.

Às vezes tudo parece muito difícil, e se você sorri para os outros (não pra quem vê a lágrima correr aqui dentro, mas o, hmm, transeunte. Conhecido.), mostrando que oi, tá tudo bem com você? Sim, comigo, tudo!, putz, aí a dificuldade de acreditar nas próprias palavras do lábio vascilante toma uma dimensão daquelas.

Eu quero dormir. Sou de carne e osso, mas também tenho nervos percorrendo meu organismo. E eles me dizem que, puxa, sua passadista, desaminada de temporada, levanta!

Eu os mando à merda. Já judiaram demais estes dias, vou substituí-los em breve por concreto ou argamassa. Os pedregulhos desordenados agradecem.


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Saco-cheio, senhores. Isso tudo se chama saco-cheio, pleno, repleto.


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random: Mysteries - Beth Gibbons

6.2.04

goteira

Sabe quando chove dentro e fora da janela do seu quarto?
E quando não há guarda-chuva suficiente?
Pois é.

4.2.04

Quem é vivo sempre dá os canos


Que contador mais chato. Mais inconstante.
Assinado Janaina, coerência em pessoa, cuspidora pro alto (e atingida na testa) nas horas vagas.


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Tenho saudades de escrever aqui, mas a preguiça e a falta de tempo (mentira, a preguiça é predominante) e uma série de notícias que me entristecem têm deixado a pena cada vez mais isolada. Choses de la vie, que'est-ce que je peut faire.


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Vou voltar a estudar línguas, francês ou inglês. Pelas exigências da profissão, a segunda opção é a mais provável. I need, apesar de eu preferir o biquês, bem mais charmoso.

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A caverna me aguarda.

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random: Bullet proof... I wish I was - Radiohead


2.12.03

Os fantasmas se divertem

Pessoas, volví.
Volví pros meus seis leitores diários - vocês são uns heróis da China, não me canso de dizer. hehe. (sifu, Regi, hahaha....)

A quem anda acimpanhando as aventuras da pequena Janaina em terras tipológicas, acho que dá pra ter uma noção boa de que sim, o tempo passa. Só a idade mental - ainda bem - que não. Minha mãe vive dizendo que a gente envelhece na cabeça; portanto - e os cabelos brancos ainda não chegados que NÃO me ouçam! - , só sei que foi assim.


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Hoje tem show do Yamandú Costa aqui em Londrina. E eu, miraculosamente, vou deixar o jornal no horário. Tenho medo do trajeto até em casa; Janaina e pontualidade nunca foram uma combinação das mais aprazíveis. But it's ok. Em janeirão, folga(s). Já avisei que volto uma somaliana pra cá, e sem o efeito Cenoura e Bronze. Chega, eu quero praia, casa, comida e roupa lavada. Só isso.


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random: Trenzinho caipira, nos dedos do Yamandú

10.10.03

Já?

Putz, um mês.
Me superei.