Hoje eu pensei nas contagens regressivas, no quanto já fiz uso delas e o quanto me instigavam. Contagem regressiva pro aniversário e as puxadinhas de orelha que meu pai me dava, correspondentes aos "novos anos". Bobinha, achava que os (bem) mais velhos tinham orelhas maiores pela proporcionalidade de tantos puxõezinhos festivos.
Contagem regressiva pro Natal. Eu e meu irmão deixávamos um par de calçados na beira da árvore, na sala, pra no dia seguinte, cedinho, correr lá ver o que o Santa tinha deixado pra gente. Morria de medo de deitar tarde (é, isso faz tempo) e ouvir os passos do dito cujo chegando. E nem chaminé eu tinha.
Contagem regressiva pras férias de fim de ano. Criança/adolescente é mesmo um bicho estranho: passava o ano todo se lamuriando das provas, torcendo pra julho e dezembro chegarem, fazia a tal contagem, mas aí chegava as férias e era um chororô danado das amigas que se separavam aquela enormidaaaade de tempo.
Contagem regressiva pras férias celetistas. Aleluia, irmãos.
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Hoje, algumas contagens regressivas são verdadeiras portas pro desconhecido, certas vezes, ou minas d'água sob o sol a pino, noutras. Instigam, mas sem a ingenuidade de outrora. É algo meio sem nome, meio sentido, meio vivido, meio sonhado. Com os dois pés bem fincados no chão, é verdade. Sem areia.
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As minhas contagens são regressivas. Vi uma série de reportagens na TV, esses dias, sobre pessoas desaparecidas, e tentei, por alguns minutos, me colocar na pele daqueles que esperam daquela forma - naquela contagem progressiva infame e corrosiva, a fórceps, revestida de esperança. A mãe adotiva que viu a filha de 16 anos sumir, ficou doente, fez a mastectomia e descobriu, meses depois, que a filha não estava morta: havia fugido com um rapaz. Descoberta seca, ao telefone, misturada a alegria e tristeza. Acho que nunca mais vou esquecer as olheiras daquela mulher: "Quando eu mais precisei dela, ela não estava lá. E eu dei tanto carinho..."
Outra mãe - essa que foi uma das mais emblemáticas na série - esperou, esperou, mas a filha não voltou. Viva, é verdade: haviam feito maldade à pequena dela, encontrada num desses terrenos baldios onde jazem as vítimas de famílias açoitadas de realidade. A mãe fundou uma associação pra ajudar outras famílias na busca de seus desaparecidos e disse uma coisa tão bonita: "É como se eu encontrasse minha filha em cada reencontro que acontece. Os reencontros são sublimes."
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Por um instante, o tempo pára.
Sublime.
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Haja o que houver - Mylene (canta Madredeus)
16.11.09
6.11.09
quente e frio
O moço na fila do restaurante, ontem à noite, me alertou: "Cuidado, moça. Essa colher tá quente. Se for se servir, pega com cuidado". Os borrachudos que atacaram a mesma mão direita (e pernas, braços, cotovelos...) horas antes, em frente à unidade prisional onde cumpria a pauta, não tiveram o mesmo zelo comigo. Mão gorda, mão gorda.
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É curioso como algumas pessoas tentam esconder fatos criando outros. Ontem, agente público preso sendo solto, um sujeito passa à frente de equipes de reportagem, dando rasteira e recebendo o apoio do irmão do ex-detento (que pedia pro carro seguir "reto", ou seja, à nossa frente), xinga Deus e o mundo. Em cinco anos e pouco de cobertura política, confesso que certas coisas ainda me assustam. O ser humano sempre é surpreendente, não tem jeito – e talvez o dia em que eu deixar de pensar assim, imagino, será pra mim uma constatação surpreendentemente triste.
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Cheguei à minha mesa desordenada, no fim do dia, e havia uma caixa bonita com um bilhete em cima: agradecimentos pelo retorno do "membro querido da família" (sim, o tal sujeito que eu acabara de ver saindo sob escolta da claque) e, dentro dela, três fatias de (pizza? Não,) bolo. Bolo de aniversário. Amigos e colegas haviam comemorado à tarde os três aniversários da semana, na gentileza de um companheirão de anos de casa. Comemoraram também o trote do ano. Pata, patinha.
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A colher quente, o bolo guardado (três fatias; olha a pujança), a articulação de alguns vários só pela reação à pegadinha e a frase que encerraria minha noite, de fato, antes daquela do moço no restaurante: "só se oferece aquilo que se tem".
Surpreendentemente simples, é verdade.
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Tempos Modernos - Lulu Santos
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É curioso como algumas pessoas tentam esconder fatos criando outros. Ontem, agente público preso sendo solto, um sujeito passa à frente de equipes de reportagem, dando rasteira e recebendo o apoio do irmão do ex-detento (que pedia pro carro seguir "reto", ou seja, à nossa frente), xinga Deus e o mundo. Em cinco anos e pouco de cobertura política, confesso que certas coisas ainda me assustam. O ser humano sempre é surpreendente, não tem jeito – e talvez o dia em que eu deixar de pensar assim, imagino, será pra mim uma constatação surpreendentemente triste.
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Cheguei à minha mesa desordenada, no fim do dia, e havia uma caixa bonita com um bilhete em cima: agradecimentos pelo retorno do "membro querido da família" (sim, o tal sujeito que eu acabara de ver saindo sob escolta da claque) e, dentro dela, três fatias de (pizza? Não,) bolo. Bolo de aniversário. Amigos e colegas haviam comemorado à tarde os três aniversários da semana, na gentileza de um companheirão de anos de casa. Comemoraram também o trote do ano. Pata, patinha.
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A colher quente, o bolo guardado (três fatias; olha a pujança), a articulação de alguns vários só pela reação à pegadinha e a frase que encerraria minha noite, de fato, antes daquela do moço no restaurante: "só se oferece aquilo que se tem".
Surpreendentemente simples, é verdade.
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Tempos Modernos - Lulu Santos
21.10.09
chove mais, vai, duvido que chove mais
Choveu tanto, mas tanto que a Câmara de Vereadores rachou, o Fórum recém inaugurado rachou, a calçada do prédio onde moro estourou. Mais um pouco e sai a Caverna do Dragão inteira lá de dentro.
Eu não aguento mais falar de chuva, ouvir falar de chuva, pautar ou ler matérias sobre chuva. Adorei o solzinho mequetrefe que saiu hoje, mas os raios que ouço agora, ao longe, e a ameaça de novo corte repentino de energia me dão aqui no íntimo uma ponta de desgosto do assunto de amanhã cedo. Ah, que sandice essa de São Pedro. Que chatice a minha. Ah, pôxa.
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Foram-se as rugas da testa, percebi, pra se formar um princípio de tique nervoso nas pernas. Já avisei pra ele que, se não parar de pular, para na marra: correria todo dia, em vez de alternadas três vezes na semana (haha). Falta só eu me dividir por mitose (isso aí), ajustar o sono do miserável início do horário de verão em dia e bye pro marvado (o sono acumulado; infelizmente, não o horário de verão). Venço ele na fraqueza! Entendeu? Nem eu.
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Contagem mais que regressiva. Aliás, duas delas. Entendeu? Eu vivo isso.
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Battleships - Travis
Eu não aguento mais falar de chuva, ouvir falar de chuva, pautar ou ler matérias sobre chuva. Adorei o solzinho mequetrefe que saiu hoje, mas os raios que ouço agora, ao longe, e a ameaça de novo corte repentino de energia me dão aqui no íntimo uma ponta de desgosto do assunto de amanhã cedo. Ah, que sandice essa de São Pedro. Que chatice a minha. Ah, pôxa.
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Foram-se as rugas da testa, percebi, pra se formar um princípio de tique nervoso nas pernas. Já avisei pra ele que, se não parar de pular, para na marra: correria todo dia, em vez de alternadas três vezes na semana (haha). Falta só eu me dividir por mitose (isso aí), ajustar o sono do miserável início do horário de verão em dia e bye pro marvado (o sono acumulado; infelizmente, não o horário de verão). Venço ele na fraqueza! Entendeu? Nem eu.
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Contagem mais que regressiva. Aliás, duas delas. Entendeu? Eu vivo isso.
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Battleships - Travis
16.10.09
olha como a tarefa dela é bonita
Não fosse pelo informativo da assessoria da universidade, nem lembraria mais que o Dia do Professor, nas instituições, é comemorado com um singelo recesso. Pra mim ficaram mesmo a data e os nomes todos que ela me remete - alguns mais, outros menos detidamente na memória.
Engraçado como a gente chamava as professoras de tia fulana, tia sicrana, há 20 e tantos anos (meu Deus...), e isso não soava desrespeitoso. Hoje, é tudo mais impessoal. Também não vislumbro como seria diferente, confesso.
Lembro da tia Marilena, minha professora da primeira série que usava de uma artimanha toda dela pra aplacar meu choro dos primeiros dias de aula: elogiava minha letra. "Olha como a letra dela é boniiita!", e mostrava pros coleguinhas do lado, cúmplices no pequeno golpe que contava, ainda, com a posse da chave da cópia da chave do carro da minha mãe, que trabalhava no colégio. O bacana dessa fase (pras mães) é que criança não difere muito chave original de cópia.
Nunca me esqueço da tia Ercília, professora da pré-história do meu currículo escolar, antigo parquinho. Não sei se a nomenclatura existe ainda, "parquinho", antes do "prézinho"; só sei que tia Ercília misturava qualidades de educadora e de quem, durante toda uma tarde, ainda cuidava de uma filha (e de tantos outros) que não era a dela: tinha um carinho singelo, zeloso, discreto. E marcante, pra sempre. Quando fiz 6 anos, naquele novembro de 86, ela me chamou num cantinho da sala, enquanto a turma se esbaldava nos brinquedos do parque, e me deu um abraço de felicidades. Nas mãos, tinha a fabulosa "lousa mágica", febrinha da criançada que podia, e que, dias antes, ela tinha de aniversário dado a outro aluno da sala - sobrinho e afilhado dela.
Anos atrás minha mãe me deu a notícia da morte abrupta de tia Ercília, causada por um câncer aparentemente raro e muito difícil, portanto, de tratar. Até hoje - acho que lá se vão uns seis, sete anos, já - me lembro dela também nas orações em que penso na familiarada que se foi, nos amigos da família, nos parentes queridos dos amigos queridos.
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Viva em carne, osso e mais um monte de mecanismo de sustentação que, graças a Deus, ela exibe hoje, minha mãe foi a felicitada da data. Foi a depositária do que eu gostaria de ter dito à tia Ercília, a tantas outras 'tias' e ótimos mestres que tive, adolescente e adulta, e dos tantos exemplos que tive em casa, uma casa de professores. Foi Gláucia quem me alfabetizou e quem me mostra que as lições de superação são pra uma vida inteira: não param no parquinho, numa sala de diagnósticos médicos e muito menos nas esquinas dessa vida.
E isso não tem lousa capaz de apagar.
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Sobre o amor e seu trabalho silencioso - Céu
Engraçado como a gente chamava as professoras de tia fulana, tia sicrana, há 20 e tantos anos (meu Deus...), e isso não soava desrespeitoso. Hoje, é tudo mais impessoal. Também não vislumbro como seria diferente, confesso.
Lembro da tia Marilena, minha professora da primeira série que usava de uma artimanha toda dela pra aplacar meu choro dos primeiros dias de aula: elogiava minha letra. "Olha como a letra dela é boniiita!", e mostrava pros coleguinhas do lado, cúmplices no pequeno golpe que contava, ainda, com a posse da chave da cópia da chave do carro da minha mãe, que trabalhava no colégio. O bacana dessa fase (pras mães) é que criança não difere muito chave original de cópia.
Nunca me esqueço da tia Ercília, professora da pré-história do meu currículo escolar, antigo parquinho. Não sei se a nomenclatura existe ainda, "parquinho", antes do "prézinho"; só sei que tia Ercília misturava qualidades de educadora e de quem, durante toda uma tarde, ainda cuidava de uma filha (e de tantos outros) que não era a dela: tinha um carinho singelo, zeloso, discreto. E marcante, pra sempre. Quando fiz 6 anos, naquele novembro de 86, ela me chamou num cantinho da sala, enquanto a turma se esbaldava nos brinquedos do parque, e me deu um abraço de felicidades. Nas mãos, tinha a fabulosa "lousa mágica", febrinha da criançada que podia, e que, dias antes, ela tinha de aniversário dado a outro aluno da sala - sobrinho e afilhado dela.
Anos atrás minha mãe me deu a notícia da morte abrupta de tia Ercília, causada por um câncer aparentemente raro e muito difícil, portanto, de tratar. Até hoje - acho que lá se vão uns seis, sete anos, já - me lembro dela também nas orações em que penso na familiarada que se foi, nos amigos da família, nos parentes queridos dos amigos queridos.
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Viva em carne, osso e mais um monte de mecanismo de sustentação que, graças a Deus, ela exibe hoje, minha mãe foi a felicitada da data. Foi a depositária do que eu gostaria de ter dito à tia Ercília, a tantas outras 'tias' e ótimos mestres que tive, adolescente e adulta, e dos tantos exemplos que tive em casa, uma casa de professores. Foi Gláucia quem me alfabetizou e quem me mostra que as lições de superação são pra uma vida inteira: não param no parquinho, numa sala de diagnósticos médicos e muito menos nas esquinas dessa vida.
E isso não tem lousa capaz de apagar.
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Sobre o amor e seu trabalho silencioso - Céu
8.10.09
teoria prática da relatividade
. uma pilha de coisas.
.duas pilhas pra carregar pra amanhã cedo.
. clarice tirando novamente meu sono com a maestria de sempre no que de mais denso há nessa coisa rasa chamada ser humano.
."Um bocejo tinha que atrapalhar".
---------
sete horas me separam de uns instantes de liberdade fabricada, mas a minha, numa co-parceria sem prazo de validade que me apraz e acalma. fabricada sem cartão-ponto, sem pressa no trânsito que enerva e relembra, fabricada sem a vontade de mandar tudo àquele lugar enquanto preparo minha nave pro espaço.
. que vontade de chutar um pé de mesa bem forte.
[...]
[...]
[...]
passou.
---------
Florindo - Mariana Aydar
.duas pilhas pra carregar pra amanhã cedo.
. clarice tirando novamente meu sono com a maestria de sempre no que de mais denso há nessa coisa rasa chamada ser humano.
."Um bocejo tinha que atrapalhar".
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sete horas me separam de uns instantes de liberdade fabricada, mas a minha, numa co-parceria sem prazo de validade que me apraz e acalma. fabricada sem cartão-ponto, sem pressa no trânsito que enerva e relembra, fabricada sem a vontade de mandar tudo àquele lugar enquanto preparo minha nave pro espaço.
. que vontade de chutar um pé de mesa bem forte.
[...]
[...]
[...]
passou.
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Florindo - Mariana Aydar
29.9.09
trate como um neném
Take 1 - o carro capota. É rodovia, não chove (acabara fazia pouco), mas faz um céu cinza de doer os olhos, e, num ziguezague de pista ribanceira abaixo, lembrando (sabe Deus como) aquele jogo do Atari, ela vê o veículo se entrelaçar com os demais. Baita capote; ainda dá tempo de pensar nos ossos. Só que é tudo tão rápido que logo o carro volta pra pista e, mesmo meio amassado, continua o trajeto de volta pra casa.
E dentro do carro, ela a assiste tudo, só que do lado de fora. Abismada e sem surpresa.
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Take 2 - o amigo morre. Não o amigo: o melhor amigo. Logo vem o nó na garganta, a sensação de solidão potencializada por saber que, por Deus, quem mais entenderia aquilo sem chamar de judiêra, sem fazer troça ou sem pseudo-filosofar sobre o mal do homem moderno? Só ele compreendia o tamanhão daquele nó. Mas agora acabou, se transformara numa lembrança, como a vida até aqui. Só que tudo é tão rápido que de repente ele aparece na frente dela, com aquele sorriso cúmplice, e fala: "meu bem, isso é um sonho", assim, dentro do. Ele segue no trajeto, seguimos. Abismada e aliviada, volto ao travesseiro.
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Quando eu era criança acreditei em Papai Noel e coelho da Páscoa. Assisti Xuxa, também, confesso. Hoje gosto de Bob Sponja e ouço gírias que remetem a ele, no bom e no mau sentido. Descobri que é bom e péssimo ser Bob Sponja. É tão rápida a diferença, e aparentemente tão besta, mas ela faz é toda, a diferença.
[Agora indiferente, constato que é melhor eu comprar logo minhas passagens e lembrar do que realmente vale a pena]
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Chá verde - Tiê
E dentro do carro, ela a assiste tudo, só que do lado de fora. Abismada e sem surpresa.
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Take 2 - o amigo morre. Não o amigo: o melhor amigo. Logo vem o nó na garganta, a sensação de solidão potencializada por saber que, por Deus, quem mais entenderia aquilo sem chamar de judiêra, sem fazer troça ou sem pseudo-filosofar sobre o mal do homem moderno? Só ele compreendia o tamanhão daquele nó. Mas agora acabou, se transformara numa lembrança, como a vida até aqui. Só que tudo é tão rápido que de repente ele aparece na frente dela, com aquele sorriso cúmplice, e fala: "meu bem, isso é um sonho", assim, dentro do. Ele segue no trajeto, seguimos. Abismada e aliviada, volto ao travesseiro.
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Quando eu era criança acreditei em Papai Noel e coelho da Páscoa. Assisti Xuxa, também, confesso. Hoje gosto de Bob Sponja e ouço gírias que remetem a ele, no bom e no mau sentido. Descobri que é bom e péssimo ser Bob Sponja. É tão rápida a diferença, e aparentemente tão besta, mas ela faz é toda, a diferença.
[Agora indiferente, constato que é melhor eu comprar logo minhas passagens e lembrar do que realmente vale a pena]
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Chá verde - Tiê
16.9.09
Suitsweet
Olhei a foto ampliada e fechei o olhos por um instante. Me vieram, na hora, os semblantes daquela gente aguardando pelo retorno de uma aeronave que não retornaria (não naquele momento), mas que, ao contrário, daria lentamente uma meia longa volta para acenar com a decolagem, rápida, sem tempo pro pensamento deixar a segunda lágrima cair. Pra muitos ali, senti, tanta agilidade do PR-VBI de pouco ou nada adiantou.
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Um pedaço ampliado de foto, uma parte de um vácuo que o coração, assim como os olhos daquelas pessoas, vai ter que ser ágil em corrigir. A decolagem é rápida, ao contrário das horas mais simples ou das mais ordinárias do dia. Muita coisa se amplia no vácuo, aprendi um dia, faz tempo.
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Entre imagens de sonho e de alguma doce fugacidade, de fundo, uma voz me faz um pedido. Então, eu abro os olhos de novo.
[abro pra constatar também, depois de cinco horas de uma espera insana madrugada adentro, que SUS e plano de saúde, quando mais se precisa deste, podem ser a mesma droga. O que muda é o pagamento em duplicidade]
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Dois - Tiê
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Um pedaço ampliado de foto, uma parte de um vácuo que o coração, assim como os olhos daquelas pessoas, vai ter que ser ágil em corrigir. A decolagem é rápida, ao contrário das horas mais simples ou das mais ordinárias do dia. Muita coisa se amplia no vácuo, aprendi um dia, faz tempo.
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Entre imagens de sonho e de alguma doce fugacidade, de fundo, uma voz me faz um pedido. Então, eu abro os olhos de novo.
[abro pra constatar também, depois de cinco horas de uma espera insana madrugada adentro, que SUS e plano de saúde, quando mais se precisa deste, podem ser a mesma droga. O que muda é o pagamento em duplicidade]
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Dois - Tiê
1.9.09
i used to say
Preocupações tão comuns em vidas aparentemente tão esparsas nos fazem ver que tudo não passa de uma caixinha onde, volta e meia, uma mexidinha de leve mostra que os cantinhos estão ali, menos distantes do que se imagina. E é tão bom perceber isso de vez em quando que é tão bom que..... Puxa.
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Couve, laranja, morango, maçã, um pedacinho de cenoura e uma adoçadinha de leve, com mel, tudo muito bem coado. Sempre achei que sucos com folhas eram sucos de saladas; foi esse o gosto sentido numa primeira e longínqua vez - não com esses ingredientes -; foi esse o gosto que foi pro espaço na conversa com um amigo inteligente (também) pras coisas da terra, e, de vez, na tarefa noturna com o liquidificador. Redescobri o prazer de cozinhar pra mim, ainda que o suco não compreenda, obviamente, o duo panela/fogão.
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No hospital, a enfermeira me perguntou se eu era irmã da amiga que eu fora buscar, recém-saída de um pequena cirurgia da qual morro de aflição, morro. Ela, um dos meus anjos da guarda dias atrás, era agora quem precisava da minha ajuda, nem que fosse praquele abraço ou pra levá-la pro aconchego dos filhos. Tão simples, mas uma sensação tão grande do "isso não tem preço" me tirou, voluntária um involuntariamente, alguns sorrisos no caminho de volta. O longo caminho da volta pra casa.
----------------
Um trecho daquela música de antigamente, sugerido delicadamente, pra eu meu lembrar durante toda a semana.
-
No telefone, a constatação besta do outro lado de que eu estava pasma por sem sentir assim: bem besta. No sentido mais desnudo da palavra.
-
Um e-mail em que desponta um filetezinho da lanterna que pensava escondida nos recônditos do marasmo. Bem verdade que a lanterna eu achei; tô trocando as pilhas gastas da danada.
-
Fôlego pra mais alguns quilômetros de corrida nos próximos dias.
-
E tudo segue rumo à Primavera, a estação mais bonita do ano e na qual que os dias começam a despontar cada vez mais cedo. Que assim seja.
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5 Discos - Fernanda Takai
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Couve, laranja, morango, maçã, um pedacinho de cenoura e uma adoçadinha de leve, com mel, tudo muito bem coado. Sempre achei que sucos com folhas eram sucos de saladas; foi esse o gosto sentido numa primeira e longínqua vez - não com esses ingredientes -; foi esse o gosto que foi pro espaço na conversa com um amigo inteligente (também) pras coisas da terra, e, de vez, na tarefa noturna com o liquidificador. Redescobri o prazer de cozinhar pra mim, ainda que o suco não compreenda, obviamente, o duo panela/fogão.
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No hospital, a enfermeira me perguntou se eu era irmã da amiga que eu fora buscar, recém-saída de um pequena cirurgia da qual morro de aflição, morro. Ela, um dos meus anjos da guarda dias atrás, era agora quem precisava da minha ajuda, nem que fosse praquele abraço ou pra levá-la pro aconchego dos filhos. Tão simples, mas uma sensação tão grande do "isso não tem preço" me tirou, voluntária um involuntariamente, alguns sorrisos no caminho de volta. O longo caminho da volta pra casa.
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Um trecho daquela música de antigamente, sugerido delicadamente, pra eu meu lembrar durante toda a semana.
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No telefone, a constatação besta do outro lado de que eu estava pasma por sem sentir assim: bem besta. No sentido mais desnudo da palavra.
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Um e-mail em que desponta um filetezinho da lanterna que pensava escondida nos recônditos do marasmo. Bem verdade que a lanterna eu achei; tô trocando as pilhas gastas da danada.
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Fôlego pra mais alguns quilômetros de corrida nos próximos dias.
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E tudo segue rumo à Primavera, a estação mais bonita do ano e na qual que os dias começam a despontar cada vez mais cedo. Que assim seja.
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5 Discos - Fernanda Takai
25.8.09
e assim foi
"A boca fala daquilo de que o coração está cheio", ela nos disse, citando o texto bíblico. Em seguida, pediu que cada um fizesse conchinhas com as mãos e olhasse, naquele espaço imaginário e, ao mesmo tempo, muito real a cada um, o próprio coração. De que cor estava? Do que estava se nutrindo, e o que estava disseminando? Era vermelho-vivo, ou "rosa apagadinho"?
O próximo passo, depois da reflexão, seria elencar ao menos um motivo pra dar um louvor, que fosse, a Deus. Me impressionei com a fluidez com que as palavras brotavam daqueles sujeitos mais quietinhos e tímidos até nos gestos. Graças por pessoas amadas em lugares muito, muito distantes, mas saudáveis; por provações superadas aqui e acolá; por vidas postas à prova por doenças e reconstruídas depois de muita fé. Por gente que se sentiu ungida porque, enfim, teve a sensação de que algo ou alguém não desistiu dele, ou dela.
Minha família, pelo menos o chamado 'núcleo duro' dela, está uns 200 quilômetros de distância de mim a maior parte da minha vida de adulta, todos os dias. Basta saber que existe e essa distância, por um instante, aplaca parte da saudade. Acho que é mal de português esse sentimento, não é possível...
(Ou é a gripe, ou eu ando muito besta esses dias. Que seja assim. A caixa do lápis de cor do meu coração é minha, ora, ora!)
Pensei nos meus amigos, os que cabem numa mão, mas que são essenciais. Pequenos anjos na minha travessia, e que, mesmo sem o laço de sangue, são motivos enormes pra eu ter, sim, louvores imensos pela vida minha, e a deles. Podem vir com ou sem sacos gigantes de gengibre nos dias de gripe; ouvidos e conselhos lúcidos nos momentos de angústia; braços e olhares fraternos nos de alegria - também usam o telefone pra eu parar um pouco o tempo enquanto ouço suas vozes; mandam pequenas mensagens eletrônicas pra saber que estou viva e que estão vivos e cartas coloridas pra eu sempre remexer nas caixinhas de 'lembranças que aquecem o coração'.
Enfim, meu coração está cheio do que esse povo todo semeia, de perto e de longe, de casa ou da casa. N'A Palavra, busco o combustível que faz deles seres essenciais e que troca, vez ou outra, minha caixa de lápis de cor por uma aquarela vistosa só em tons de vermelho-coração-pulsante.
Pequenas cápsulas de bem-estar/esperança diário.
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Reprise - Ludov
O próximo passo, depois da reflexão, seria elencar ao menos um motivo pra dar um louvor, que fosse, a Deus. Me impressionei com a fluidez com que as palavras brotavam daqueles sujeitos mais quietinhos e tímidos até nos gestos. Graças por pessoas amadas em lugares muito, muito distantes, mas saudáveis; por provações superadas aqui e acolá; por vidas postas à prova por doenças e reconstruídas depois de muita fé. Por gente que se sentiu ungida porque, enfim, teve a sensação de que algo ou alguém não desistiu dele, ou dela.
Minha família, pelo menos o chamado 'núcleo duro' dela, está uns 200 quilômetros de distância de mim a maior parte da minha vida de adulta, todos os dias. Basta saber que existe e essa distância, por um instante, aplaca parte da saudade. Acho que é mal de português esse sentimento, não é possível...
(Ou é a gripe, ou eu ando muito besta esses dias. Que seja assim. A caixa do lápis de cor do meu coração é minha, ora, ora!)
Pensei nos meus amigos, os que cabem numa mão, mas que são essenciais. Pequenos anjos na minha travessia, e que, mesmo sem o laço de sangue, são motivos enormes pra eu ter, sim, louvores imensos pela vida minha, e a deles. Podem vir com ou sem sacos gigantes de gengibre nos dias de gripe; ouvidos e conselhos lúcidos nos momentos de angústia; braços e olhares fraternos nos de alegria - também usam o telefone pra eu parar um pouco o tempo enquanto ouço suas vozes; mandam pequenas mensagens eletrônicas pra saber que estou viva e que estão vivos e cartas coloridas pra eu sempre remexer nas caixinhas de 'lembranças que aquecem o coração'.
Enfim, meu coração está cheio do que esse povo todo semeia, de perto e de longe, de casa ou da casa. N'A Palavra, busco o combustível que faz deles seres essenciais e que troca, vez ou outra, minha caixa de lápis de cor por uma aquarela vistosa só em tons de vermelho-coração-pulsante.
Pequenas cápsulas de bem-estar/esperança diário.
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Reprise - Ludov
22.8.09
congestionamento
Pessoas apressadas correm à margem do lago com expectativas físicas e emocionais. Olhada rápida no relógio-cronômetro, um jeitinho pra arrumar o fone no ouvido e pernas pro desconhecido que fica. E elas passam.
Pessoas sentadinhas, sem pressa, sem pressa, celebram a algo numa mesa enorme, média etária dos 70 anos quebrada por dois garotinhos duns oito, dez anos, no máximo, junto delas. Todas enfeitadinhas e emprumadinhas, a expectativa de vida ali é ampla. O prato principal? Mousse de maracujá com chocolate.
Na contramão dos apressados e das celebrantes, lembro das palavras daquela senhora num esforço sincero de evocar à representação de algo que só eu compreendo, ou tente compreender. E a cada vez que eu tento, as portas me mostram que o caminho com pernas pro desconhecido é longo, longo. Sempre me falaram do poder das palavras - com a capacidade que têm de também construir, embasar e desconstruir teias humanas -; às vezes me sinto refém delas. Leio coisas que já escrevi e penso no latifúndio de bobagens em que já acreditei. Leio as palavras de hoje e penso em seguir aquele conselho de quinta-feira à noite: "tem outro nome. Não existe. O que existe é o que há", simples assim, óbvio, talvez, só pra mim. Por isso que hoje eu abdico de me tornar ferida alheia, ou, pelo menos (e é só isso que me importa agora), de alimentar as minhas. Agora 'Cuidado' vem em placas de alerta, e nesse fluxo confuso eu não me perco mais. Meus olhos não deixam.
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"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos".
(Pessoa)
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In my life - Beatles
Pessoas sentadinhas, sem pressa, sem pressa, celebram a algo numa mesa enorme, média etária dos 70 anos quebrada por dois garotinhos duns oito, dez anos, no máximo, junto delas. Todas enfeitadinhas e emprumadinhas, a expectativa de vida ali é ampla. O prato principal? Mousse de maracujá com chocolate.
Na contramão dos apressados e das celebrantes, lembro das palavras daquela senhora num esforço sincero de evocar à representação de algo que só eu compreendo, ou tente compreender. E a cada vez que eu tento, as portas me mostram que o caminho com pernas pro desconhecido é longo, longo. Sempre me falaram do poder das palavras - com a capacidade que têm de também construir, embasar e desconstruir teias humanas -; às vezes me sinto refém delas. Leio coisas que já escrevi e penso no latifúndio de bobagens em que já acreditei. Leio as palavras de hoje e penso em seguir aquele conselho de quinta-feira à noite: "tem outro nome. Não existe. O que existe é o que há", simples assim, óbvio, talvez, só pra mim. Por isso que hoje eu abdico de me tornar ferida alheia, ou, pelo menos (e é só isso que me importa agora), de alimentar as minhas. Agora 'Cuidado' vem em placas de alerta, e nesse fluxo confuso eu não me perco mais. Meus olhos não deixam.
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"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos".
(Pessoa)
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In my life - Beatles
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