"A boca fala daquilo de que o coração está cheio", ela nos disse, citando o texto bíblico. Em seguida, pediu que cada um fizesse conchinhas com as mãos e olhasse, naquele espaço imaginário e, ao mesmo tempo, muito real a cada um, o próprio coração. De que cor estava? Do que estava se nutrindo, e o que estava disseminando? Era vermelho-vivo, ou "rosa apagadinho"?
O próximo passo, depois da reflexão, seria elencar ao menos um motivo pra dar um louvor, que fosse, a Deus. Me impressionei com a fluidez com que as palavras brotavam daqueles sujeitos mais quietinhos e tímidos até nos gestos. Graças por pessoas amadas em lugares muito, muito distantes, mas saudáveis; por provações superadas aqui e acolá; por vidas postas à prova por doenças e reconstruídas depois de muita fé. Por gente que se sentiu ungida porque, enfim, teve a sensação de que algo ou alguém não desistiu dele, ou dela.
Minha família, pelo menos o chamado 'núcleo duro' dela, está uns 200 quilômetros de distância de mim a maior parte da minha vida de adulta, todos os dias. Basta saber que existe e essa distância, por um instante, aplaca parte da saudade. Acho que é mal de português esse sentimento, não é possível...
(Ou é a gripe, ou eu ando muito besta esses dias. Que seja assim. A caixa do lápis de cor do meu coração é minha, ora, ora!)
Pensei nos meus amigos, os que cabem numa mão, mas que são essenciais. Pequenos anjos na minha travessia, e que, mesmo sem o laço de sangue, são motivos enormes pra eu ter, sim, louvores imensos pela vida minha, e a deles. Podem vir com ou sem sacos gigantes de gengibre nos dias de gripe; ouvidos e conselhos lúcidos nos momentos de angústia; braços e olhares fraternos nos de alegria - também usam o telefone pra eu parar um pouco o tempo enquanto ouço suas vozes; mandam pequenas mensagens eletrônicas pra saber que estou viva e que estão vivos e cartas coloridas pra eu sempre remexer nas caixinhas de 'lembranças que aquecem o coração'.
Enfim, meu coração está cheio do que esse povo todo semeia, de perto e de longe, de casa ou da casa. N'A Palavra, busco o combustível que faz deles seres essenciais e que troca, vez ou outra, minha caixa de lápis de cor por uma aquarela vistosa só em tons de vermelho-coração-pulsante.
Pequenas cápsulas de bem-estar/esperança diário.
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Reprise - Ludov
25.8.09
22.8.09
congestionamento
Pessoas apressadas correm à margem do lago com expectativas físicas e emocionais. Olhada rápida no relógio-cronômetro, um jeitinho pra arrumar o fone no ouvido e pernas pro desconhecido que fica. E elas passam.
Pessoas sentadinhas, sem pressa, sem pressa, celebram a algo numa mesa enorme, média etária dos 70 anos quebrada por dois garotinhos duns oito, dez anos, no máximo, junto delas. Todas enfeitadinhas e emprumadinhas, a expectativa de vida ali é ampla. O prato principal? Mousse de maracujá com chocolate.
Na contramão dos apressados e das celebrantes, lembro das palavras daquela senhora num esforço sincero de evocar à representação de algo que só eu compreendo, ou tente compreender. E a cada vez que eu tento, as portas me mostram que o caminho com pernas pro desconhecido é longo, longo. Sempre me falaram do poder das palavras - com a capacidade que têm de também construir, embasar e desconstruir teias humanas -; às vezes me sinto refém delas. Leio coisas que já escrevi e penso no latifúndio de bobagens em que já acreditei. Leio as palavras de hoje e penso em seguir aquele conselho de quinta-feira à noite: "tem outro nome. Não existe. O que existe é o que há", simples assim, óbvio, talvez, só pra mim. Por isso que hoje eu abdico de me tornar ferida alheia, ou, pelo menos (e é só isso que me importa agora), de alimentar as minhas. Agora 'Cuidado' vem em placas de alerta, e nesse fluxo confuso eu não me perco mais. Meus olhos não deixam.
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"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos".
(Pessoa)
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In my life - Beatles
Pessoas sentadinhas, sem pressa, sem pressa, celebram a algo numa mesa enorme, média etária dos 70 anos quebrada por dois garotinhos duns oito, dez anos, no máximo, junto delas. Todas enfeitadinhas e emprumadinhas, a expectativa de vida ali é ampla. O prato principal? Mousse de maracujá com chocolate.
Na contramão dos apressados e das celebrantes, lembro das palavras daquela senhora num esforço sincero de evocar à representação de algo que só eu compreendo, ou tente compreender. E a cada vez que eu tento, as portas me mostram que o caminho com pernas pro desconhecido é longo, longo. Sempre me falaram do poder das palavras - com a capacidade que têm de também construir, embasar e desconstruir teias humanas -; às vezes me sinto refém delas. Leio coisas que já escrevi e penso no latifúndio de bobagens em que já acreditei. Leio as palavras de hoje e penso em seguir aquele conselho de quinta-feira à noite: "tem outro nome. Não existe. O que existe é o que há", simples assim, óbvio, talvez, só pra mim. Por isso que hoje eu abdico de me tornar ferida alheia, ou, pelo menos (e é só isso que me importa agora), de alimentar as minhas. Agora 'Cuidado' vem em placas de alerta, e nesse fluxo confuso eu não me perco mais. Meus olhos não deixam.
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"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos".
(Pessoa)
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In my life - Beatles
18.8.09
memória
Na infância e adolescência, na contramão do restante da sala, eu sempre gostava das aulas de gramática - mas me deliciava mesmo era com as de interpretação de texto. Seria capaz de ficar horas escrevendo numa prova de interpretação não fosse o relógio; não é à toa que eu era sempre a última a deixar a sala. Assim foi no vestibular, assim foi na faculdade, assim acontece nas duas redações em que trabalho (ok, ok, o que nem sempre é bom, admito).
Nunca esqueço quando a professora de Literatura do terceiro ano, o derradeiro, dona Henriqueta - voz baixinha e constante, uma quarentona bem resolvida em nome de senhorinha -, nos apresentou a interpretação da "pedra no caminho" no Drummond. Lembro que pra muita gente aquela repetição de palavras e colocações soava enfadonha, e pior: sem sentido. Até que a dona Henriqueta pediu que substituíssemos "pedra" por "vestibular" (naquele ano-véspera decisivo e filho da mãe), e a coisa ficou mais clara.
Fico pensando hoje pros sinônimos dessa pedra. Podia ser a tosse dos últimos dias, acalmada de duas em duas horas com uma pastilha porreta que adormece a língua (meu Deus...); podia ser tanta coisa, abstrata, humana, caótica ou não. Dor nas costas. Chuva inconstante. Gastrite. Silêncio. Memória afetiva. Distância de quem de fato nos ama, e vice-versa. Enfim, tanta palavra pra caber nesse espacinho da pedra...
A boniteza nessa aridez é perceber que se pode ver na vida uma espécie de poema que se vai construindo aqui, ali. Tem dias que as peças não se encaixam, noutros, só peças como essas que eu elenquei, em outros mais, o poema simplesmente muda e permite novas colocações e rimas. Tirando a pedra, imagino, se encontra o caminho até o jardim. Até que eles passarão/e eu passarinho. Tanta coisa pra trocar, tanta. Mas mesmo com a sensação de rampa acima que eu relatei pro amigo querido, dia desses - sabe o mito do sujeito que rola a pedra tudavida, tudavida? É o Sísifo, coitado -, algo me diz que é rampa acima a seta indicadora, não tem mais jeito. É essa a interpretação que eu quero ter, agora, é ela que me cabe. Até pra não cair na armadilha de pensar em outros poemas do Drummond pros quais eu já tive sinônimos, mas hoje, só quero antônimos. Pelo menos até a próxima interpretação...
* * *
Molho obrigatório com picles Trimedal, sem salada, sem queijo branco e uma sensação de surra no pau de arara sem pão de gergelim. Uma pastilha alucinógena pra quem adivinhar o que é isso.
Porque yo só vou saber amanhã.
* * *
Liberdade - Marcelo Camelo
Nunca esqueço quando a professora de Literatura do terceiro ano, o derradeiro, dona Henriqueta - voz baixinha e constante, uma quarentona bem resolvida em nome de senhorinha -, nos apresentou a interpretação da "pedra no caminho" no Drummond. Lembro que pra muita gente aquela repetição de palavras e colocações soava enfadonha, e pior: sem sentido. Até que a dona Henriqueta pediu que substituíssemos "pedra" por "vestibular" (naquele ano-véspera decisivo e filho da mãe), e a coisa ficou mais clara.
Fico pensando hoje pros sinônimos dessa pedra. Podia ser a tosse dos últimos dias, acalmada de duas em duas horas com uma pastilha porreta que adormece a língua (meu Deus...); podia ser tanta coisa, abstrata, humana, caótica ou não. Dor nas costas. Chuva inconstante. Gastrite. Silêncio. Memória afetiva. Distância de quem de fato nos ama, e vice-versa. Enfim, tanta palavra pra caber nesse espacinho da pedra...
A boniteza nessa aridez é perceber que se pode ver na vida uma espécie de poema que se vai construindo aqui, ali. Tem dias que as peças não se encaixam, noutros, só peças como essas que eu elenquei, em outros mais, o poema simplesmente muda e permite novas colocações e rimas. Tirando a pedra, imagino, se encontra o caminho até o jardim. Até que eles passarão/e eu passarinho. Tanta coisa pra trocar, tanta. Mas mesmo com a sensação de rampa acima que eu relatei pro amigo querido, dia desses - sabe o mito do sujeito que rola a pedra tudavida, tudavida? É o Sísifo, coitado -, algo me diz que é rampa acima a seta indicadora, não tem mais jeito. É essa a interpretação que eu quero ter, agora, é ela que me cabe. Até pra não cair na armadilha de pensar em outros poemas do Drummond pros quais eu já tive sinônimos, mas hoje, só quero antônimos. Pelo menos até a próxima interpretação...
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Molho obrigatório com picles Trimedal, sem salada, sem queijo branco e uma sensação de surra no pau de arara sem pão de gergelim. Uma pastilha alucinógena pra quem adivinhar o que é isso.
Porque yo só vou saber amanhã.
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Liberdade - Marcelo Camelo
16.8.09
veja você
Diante do argumento da pouca grana, me rendi ao do "a vida é curta", de uma vez só lançado pela amiga, e desencanei. "Horas que bem que podiam durar dias", pensei, no meio do semi-transe provocado pela música e pelo saquê adocicado com a mistura de frutas tropicais no ambiente fechado e pouco ventilado, lindo pra uma mini-pandemia. Que beleza, agora, pastel de feira e muitas risadas depois, ter percebido que esta e outras (tantas) neuras ficaram da porta pra fora. Da porta pra dentro, só o Jackson Six alucinado e os neo Emos providenciados no celular tiveram vez, hehe.
Apesar da pedreira, eu si divirtu.
(Mais que ocasião, hoje isso virou uma necessidade)
*
Conversa de botas batidas - Los Hermanos
Apesar da pedreira, eu si divirtu.
(Mais que ocasião, hoje isso virou uma necessidade)
*
Conversa de botas batidas - Los Hermanos
13.8.09
angúsvida
Depois de tanto ouvir falar do mito de Sísifo e de ver que a pedra, antes só empurrada morro acima, agora tenta me esmagar (incrível como o corpo às vezes custa a reagir a essas ameaças), vou vendo alguns sinais difusos tentando tirar as lasquinhas dessa montanha.
Brasília?
31.7.09
The passarinhos contra a gripe
Engraçado: o povão morre de medo da gripe suína (conheço um político que tem a do tipo "equina", quase uma BRONCO-pneumonia), é dispensado de aulas nas universidades e nas escolas e não pensa duas vezes em fazer um brinde à quinta-feira nos bares lotados perto de casa. Shopping, idem. Os coletivos continuam abarrotados, ninguém de máscara. Vejo na TV que cinco estados já suspenderam o ano letivo; antes, o colega de rádio me contou numa risada maliciosa: não aguenta mais os pais ligando na rádiA reclamando da medida. Agora que a molecada tava voltando das férias, pôssa?!
*
Por falar em máscara, hoje eu recebi uma, no trabalho, e fiquei sem saber o que fazer: devolver é feio, usar em coletiva, pior ainda. Tá na bolsa, protegendo minhas tralhas do H1N1. Pensei que, puxa!, podia ter recebido na véspera, quando descia do décimo andar no elevador de um prédio comercial perto do jornal. Duas moças de uns 30 e poucos anos e um senhor duns 50 junto. A tosse que me acompanha há uns dias veio de leve - o suficiente pra que uma delas me olhasse como se eu tivesse um chifre de unicórnio da testa; olhar sutil, o dela. Já o homem, mui disfarçadamente, deu um jeitinho de simular um longo bocejo; tão longo que ele protegeu nariz e boca até o térreo. Juro: torci pra espirrar, bem forte.
*
Um chuveiro é um chuveiro? Não, um chuveiro é algo que faz você esquecer das pequenas - e muito importantes - coisas da vida. Fica sem, pra ver. Volta a ter, pra rir.
*
O cérebro deveria ter um vasodilatador pras ideias futuras em dias estressantes. Por exemplo, eu adoraria vasodilatar pro espaço a lembrança dos próximos finais de semana sem arrego proletário (multiplicada pela semana deliciosa que termina, graçazadeuzamém) e puxar pra perto só a lembrança da volta pra casa, breve-breve (quero muito mentalizar isso. Casa, breve, breve-breve, breve-breve). Quem disse que é assim, né?
*
I came all this way - The Thrills
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Por falar em máscara, hoje eu recebi uma, no trabalho, e fiquei sem saber o que fazer: devolver é feio, usar em coletiva, pior ainda. Tá na bolsa, protegendo minhas tralhas do H1N1. Pensei que, puxa!, podia ter recebido na véspera, quando descia do décimo andar no elevador de um prédio comercial perto do jornal. Duas moças de uns 30 e poucos anos e um senhor duns 50 junto. A tosse que me acompanha há uns dias veio de leve - o suficiente pra que uma delas me olhasse como se eu tivesse um chifre de unicórnio da testa; olhar sutil, o dela. Já o homem, mui disfarçadamente, deu um jeitinho de simular um longo bocejo; tão longo que ele protegeu nariz e boca até o térreo. Juro: torci pra espirrar, bem forte.
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Um chuveiro é um chuveiro? Não, um chuveiro é algo que faz você esquecer das pequenas - e muito importantes - coisas da vida. Fica sem, pra ver. Volta a ter, pra rir.
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O cérebro deveria ter um vasodilatador pras ideias futuras em dias estressantes. Por exemplo, eu adoraria vasodilatar pro espaço a lembrança dos próximos finais de semana sem arrego proletário (multiplicada pela semana deliciosa que termina, graçazadeuzamém) e puxar pra perto só a lembrança da volta pra casa, breve-breve (quero muito mentalizar isso. Casa, breve, breve-breve, breve-breve). Quem disse que é assim, né?
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I came all this way - The Thrills
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28.7.09
por quê? / pra quê?
"ignorante"
"página de papel rasgada a ser recomposta"
Duas fantásticas expressões da série "Como começar seu dia na lama e terminá-lo na penumbra da dúvida". Adquira as suas você também! Kits promocionais delivery.
ps.: não entrego nem a pau.
*
Choveu tanto, mas ta(aaa)nto, que, além das piadinhas bolorentas, estão de lascar também - literalmente, perdão o trocadilho - algumas ruas no centro, que chegaram ao paralelepípedo. De verdade: se vê o miolinho delas. Em outras, nas manhãs de neblina intensa, cena chatinha ver o pessoal passando em buraco cheio de água suja, em frente a ponto de ônibus, molhando o cidadão que aguarda piano pra ir ao trabalho, à escola. Presenciei três dessas, em menos de 24 horas.
*
Ainda no trânsito, algumas vezes eu me divirto, outras (muito mais, é verdade) me irrito bem com a capacidade do serumano aprontar aquilo que se vê nos estábulos da exposição rural, de forma mui caprichosa na forma e quantidade, mas sobre duas pernas. Gentilezas, ou, a bem da verdade, obrigações, são raríssimas. Uma das avenidas mais movimentadas daqui, por exemplo, famosa pela concentração de hospitais e clínicas, está famosa também pelos atropelamentos de gente que acabou de sair de consulta - em geral, idosos e mulheres com crianças. 'Paciente', esse pessoal buzina - não, não tem placa dizendo que é área hospitalar - e aproveita ass lombadas pra acelerar, pedindo pressa. Coisa boa, essa lombada.
Hoje, distante dali, enquanto contornava uma rotatória - e não é possível que essa regra já tenha mudado, pensei -, o sujeito da outra mão entrou com tudo, sem sequer olhar pro lado; braço de fora. Diante da reação, deve ter elogiado bastante toda a geração de progenitoras da família, mas fiquei intrigada com a cara dele, algo na linha: "o quêêêêêê, uma mulher reclamando? Se toca!", pra ser sôper fiel às expressões coloquiais. hehe. Dois dedos nos olhos, dois dedos pra ele, se liga, malandro. Es nosotro en DVD. Ali também não tinha placa de área hospitalar...
*
"Tava com 1800, agora, 4000 leucócitos. Vai dar."
Antes do dia acabar -porque o meu só acaba quando aciono os três despertadores -, uma expressão começa uma série nova que, ainda que eu desconheça por ora o nome, desfaz boa parte daquela penumbra da série velha. Oh, God, obrigada.
*
Sometimes - My Bloody Valentine
"página de papel rasgada a ser recomposta"
Duas fantásticas expressões da série "Como começar seu dia na lama e terminá-lo na penumbra da dúvida". Adquira as suas você também! Kits promocionais delivery.
ps.: não entrego nem a pau.
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Choveu tanto, mas ta(aaa)nto, que, além das piadinhas bolorentas, estão de lascar também - literalmente, perdão o trocadilho - algumas ruas no centro, que chegaram ao paralelepípedo. De verdade: se vê o miolinho delas. Em outras, nas manhãs de neblina intensa, cena chatinha ver o pessoal passando em buraco cheio de água suja, em frente a ponto de ônibus, molhando o cidadão que aguarda piano pra ir ao trabalho, à escola. Presenciei três dessas, em menos de 24 horas.
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Ainda no trânsito, algumas vezes eu me divirto, outras (muito mais, é verdade) me irrito bem com a capacidade do serumano aprontar aquilo que se vê nos estábulos da exposição rural, de forma mui caprichosa na forma e quantidade, mas sobre duas pernas. Gentilezas, ou, a bem da verdade, obrigações, são raríssimas. Uma das avenidas mais movimentadas daqui, por exemplo, famosa pela concentração de hospitais e clínicas, está famosa também pelos atropelamentos de gente que acabou de sair de consulta - em geral, idosos e mulheres com crianças. 'Paciente', esse pessoal buzina - não, não tem placa dizendo que é área hospitalar - e aproveita ass lombadas pra acelerar, pedindo pressa. Coisa boa, essa lombada.
Hoje, distante dali, enquanto contornava uma rotatória - e não é possível que essa regra já tenha mudado, pensei -, o sujeito da outra mão entrou com tudo, sem sequer olhar pro lado; braço de fora. Diante da reação, deve ter elogiado bastante toda a geração de progenitoras da família, mas fiquei intrigada com a cara dele, algo na linha: "o quêêêêêê, uma mulher reclamando? Se toca!", pra ser sôper fiel às expressões coloquiais. hehe. Dois dedos nos olhos, dois dedos pra ele, se liga, malandro. Es nosotro en DVD. Ali também não tinha placa de área hospitalar...
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"Tava com 1800, agora, 4000 leucócitos. Vai dar."
Antes do dia acabar -porque o meu só acaba quando aciono os três despertadores -, uma expressão começa uma série nova que, ainda que eu desconheça por ora o nome, desfaz boa parte daquela penumbra da série velha. Oh, God, obrigada.
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Sometimes - My Bloody Valentine
26.7.09
o quê?
Andávamos, e eu procurava aquele doce que não sabia bem qual era, mas que era importante. De repente, naquele mercado enorme, as prateleiras surgiam complemente vazias, com o branco do metal à mostra e uma interrogação, misturada a agonia, se formando pelo ponteiro do relógio correndo contra mim - a caixa me esperava, você olhava pra minha cara com jeito de "não sei o que é isso", e eu desisti de procurar.
Curioso é que tive de pagar a conta pra moça do caixa.
Faz todo o sentido.
*
Parece simples colocar na categoria de "artefatos inexistentes" aquilo que se quer deixar pra trás. Se fosse assim, não haveria tantas clínicas de terapia por aí, e tanta gente mal resolvida mundo afora. A prateleira pode até estar vazia, mas nem por isso o mercado deixa de existir.
E há artigo suficiente pra se buscar, além daquele doce que, nossa, existiu e foi bom. E ponto.
*
Tenho aprendido a encarar certas situações da vida sob um outro ângulo, não sei se equivocado ou não - o tempo vai dizer; as novas experiências, consolidá-lo ou não. Parei de me fazer perguntas, porque seriam muitas respostas não encontradas, muita revolta reprimida a me fazer mal, ou muita lágrima chata a me perturbar o sono. Ou melhor: passei a fazer outras perguntas, essas, sim, com um sentido pra existirem e se desdobrarem em respostas que vão me trazer algo bom.
Grosso modo, é como andar na feira, domingo de manhã, sentindo todos os aromas, sem me preocupar com o porquê de aquelas pessoas andarem devagar, quase parando, enquanto outras querem passar, e sem dar a mínima do porquê de minha mesa ter de ficar bela com o ramalhete que estou levando dessa vez. Eu a quero assim, e constatar isso, depois de tanto tempo, não apaga nada, nada - eu não seria tão imatura de passar um errorex na vida -, mas é um baita alívio.
[Pisar no ramalhete antigo não faz do novo mais atraente, não no meu caso]
*
Un dernier verre (Pour la Route) - Beirut
Curioso é que tive de pagar a conta pra moça do caixa.
Faz todo o sentido.
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Parece simples colocar na categoria de "artefatos inexistentes" aquilo que se quer deixar pra trás. Se fosse assim, não haveria tantas clínicas de terapia por aí, e tanta gente mal resolvida mundo afora. A prateleira pode até estar vazia, mas nem por isso o mercado deixa de existir.
E há artigo suficiente pra se buscar, além daquele doce que, nossa, existiu e foi bom. E ponto.
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Tenho aprendido a encarar certas situações da vida sob um outro ângulo, não sei se equivocado ou não - o tempo vai dizer; as novas experiências, consolidá-lo ou não. Parei de me fazer perguntas, porque seriam muitas respostas não encontradas, muita revolta reprimida a me fazer mal, ou muita lágrima chata a me perturbar o sono. Ou melhor: passei a fazer outras perguntas, essas, sim, com um sentido pra existirem e se desdobrarem em respostas que vão me trazer algo bom.
Grosso modo, é como andar na feira, domingo de manhã, sentindo todos os aromas, sem me preocupar com o porquê de aquelas pessoas andarem devagar, quase parando, enquanto outras querem passar, e sem dar a mínima do porquê de minha mesa ter de ficar bela com o ramalhete que estou levando dessa vez. Eu a quero assim, e constatar isso, depois de tanto tempo, não apaga nada, nada - eu não seria tão imatura de passar um errorex na vida -, mas é um baita alívio.
[Pisar no ramalhete antigo não faz do novo mais atraente, não no meu caso]
*
Un dernier verre (Pour la Route) - Beirut
22.7.09
mouse pad
Quem me conhece sabe que noção de localização não é lá meu forte. Dizem que, por questões biológicas, isso é algo que acomete a mulherada de uma forma geral, mas conheço muita gente sem pipi que se vira muito bem quando a pergunta do auto-lead é o 'onde?'. Enfim.
Numa passada de três dias pelo Rio de Janeiro, na última vez que fui pra lá, eu e uma amiga demos umas três voltas no Leblon até descobrirmos que o trecho percorrido era o mesmo do início - nas três vezes. No ano seguinte, sozinha, no Ibirapuera, cheguei a ter uma nesga de credulidade na existência de dois obeliscos, mas a ficha caiu. Debaixo de muito sol, longos minutos depois, mas caiu: consegui me perder lá também.
Celular esquecido, hoje, e resgate noturno com toques de "vamos ver no que dá essa merda". Mudei completamente o trajeto e fui parar num local ermo, sem uma viva alma a me dizer que pedaço de Londrina era aquele. Num botequim vários quarteirões adiante onde garotos bebiam, a resposta: "Só subir à esquerda e virar à esquerda de novo, tudavida". Continuei andando sem saber onde ia dar (impressão, ou o breu aumenta quando se está perdido?), mas, gozado, sem receio. Sabia que mesmo que demorasse, ia me safar daquela bobagem a tempo, ao menos, de a luz da reserva não piscar.
(Sensação tão diferente daquela dos 5 anos, quando me perdia no supermercado. Achava que nunca mais ia passar.)
Como no Rio, o desvio de rota de hoje acabou me deixando somente algumas quadras adiante do local de onde eu nunca havia saído, mas que achava ter atravessado duas zonas distintas da cidade. Rodar, rodar, e cair no mesmo local. Isso soaria familiar, não fosse a leveza que a vida vai trazendo, aos pouquinhos, daquela ideia de que uma hora a rua certa pra virar à esquerda, ou à direita, vai aparecer diante dos olhos, caso não se estaque no meio do caminho. E o breu vai ser só mais um traço nebuloso de imaginação, cenográfico, quando se olha para quanta luz há em volta.
*
Preciso de resistência nova. Eu, não: meu chuveiro.
*
As prateleiras do sonho estavam vazias, completamente vazias.
*
As horas de sono são tão importantes quanto uma resistência nova pra (ahá) "GorDucha". Assim, é só isso que quero agora em uma das prateleiras. Pras demais, eu vou pra outra pergunta do lead.
Numa passada de três dias pelo Rio de Janeiro, na última vez que fui pra lá, eu e uma amiga demos umas três voltas no Leblon até descobrirmos que o trecho percorrido era o mesmo do início - nas três vezes. No ano seguinte, sozinha, no Ibirapuera, cheguei a ter uma nesga de credulidade na existência de dois obeliscos, mas a ficha caiu. Debaixo de muito sol, longos minutos depois, mas caiu: consegui me perder lá também.
Celular esquecido, hoje, e resgate noturno com toques de "vamos ver no que dá essa merda". Mudei completamente o trajeto e fui parar num local ermo, sem uma viva alma a me dizer que pedaço de Londrina era aquele. Num botequim vários quarteirões adiante onde garotos bebiam, a resposta: "Só subir à esquerda e virar à esquerda de novo, tudavida". Continuei andando sem saber onde ia dar (impressão, ou o breu aumenta quando se está perdido?), mas, gozado, sem receio. Sabia que mesmo que demorasse, ia me safar daquela bobagem a tempo, ao menos, de a luz da reserva não piscar.
(Sensação tão diferente daquela dos 5 anos, quando me perdia no supermercado. Achava que nunca mais ia passar.)
Como no Rio, o desvio de rota de hoje acabou me deixando somente algumas quadras adiante do local de onde eu nunca havia saído, mas que achava ter atravessado duas zonas distintas da cidade. Rodar, rodar, e cair no mesmo local. Isso soaria familiar, não fosse a leveza que a vida vai trazendo, aos pouquinhos, daquela ideia de que uma hora a rua certa pra virar à esquerda, ou à direita, vai aparecer diante dos olhos, caso não se estaque no meio do caminho. E o breu vai ser só mais um traço nebuloso de imaginação, cenográfico, quando se olha para quanta luz há em volta.
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Preciso de resistência nova. Eu, não: meu chuveiro.
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As prateleiras do sonho estavam vazias, completamente vazias.
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As horas de sono são tão importantes quanto uma resistência nova pra (ahá) "GorDucha". Assim, é só isso que quero agora em uma das prateleiras. Pras demais, eu vou pra outra pergunta do lead.
21.7.09
por exemplos
O dom com as mãos, herdado de gerações, mostra a ela que ainda há muito por fazer. Muito a que se agarrar. Muito a ofertar, porque há quem o receba. E nada no mundo pode apagar isso da memória, que é passado, mas também presente.
Minha mãe é uma mulher de fibra, e, se tenho muito ainda a aprender pelos anos da vida afora (30? 51? Menos ou mais de 100? Não importa), cara nas portas ou flores às mãos, creio que essa lição já aprendi. Venho aprendendo, desde que me entendo por gente . 'O vento pode até nos vergar, mas quebrar, não', insiste ela comigo. Eu tento, mãe - enquanto, do seu lado, sei que não desiste de mim.
E o mais bonito disso tudo é que aprendemos juntas, não importa os perrengues que uma ou outra estejam passando, ou tenham passado. Esse amor é eterno. E ao contrário do que o mundo tenta ensinar, dura ainda que o caminho seja espinhoso. Talvez por isso valha o nome.
*
Minha mãe é uma mulher de fibra, e, se tenho muito ainda a aprender pelos anos da vida afora (30? 51? Menos ou mais de 100? Não importa), cara nas portas ou flores às mãos, creio que essa lição já aprendi. Venho aprendendo, desde que me entendo por gente . 'O vento pode até nos vergar, mas quebrar, não', insiste ela comigo. Eu tento, mãe - enquanto, do seu lado, sei que não desiste de mim.
E o mais bonito disso tudo é que aprendemos juntas, não importa os perrengues que uma ou outra estejam passando, ou tenham passado. Esse amor é eterno. E ao contrário do que o mundo tenta ensinar, dura ainda que o caminho seja espinhoso. Talvez por isso valha o nome.
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16.7.09
porque viver é sobre
Na mesa da frente, a família reunida em torno do jantar - as crianças puxaram à mãe, facilmente se percebe - me enche de dúvidas. Outras.
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Na cadeira da frente, palavras que me dissolvem certezas e me ajudam a transformar nós em pedaços rasgados de respostas, colados pequenininhos, até se formarem pequenas teias, quiçá retalhos, de um tecido com o qual quero me familiarizar.
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No trânsito, uns seguem sozinhos, outros embalados por cafunés. Sinto os olhos pesarem, mas não são as luzes depois de tantas horas ao computador: é um casal de vovozinhos tentando, a todo custo, empilhar as últimas peças de lixo reciclável na carriola que seria puxada (imagino) ainda por um bom tanto. Por um instante penso no quão relativas podem ser a solidão e o contrário dela.
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Precisar de cuidado nem sempre é o que parece. As formas de manifestação, por vezes, são tão (ou mais) importantes quanto o cuidado em si. Os olhos e ouvidos treinam pra que o coração não se engane. O coração treina pra não tropeçar em tanta buraqueira dessa vida, tampouco pra preencher essas frestas com betume: basta desviar das lacunas, enormes.
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Comprei meias de algodão pra minha mãe. Várias delas. Brancas, mas com um filetezinho de cor - uma diferente pra cada um dos oito pares. Peguei pra ver se eram felpudas de verdade ou felpudas inimigas da máquina de lavar; não era esse o caso. "É pra sua filha?", me perguntou a vendedora que teve de conferir o código de barras com outras meias, do tipo soquete (não eram aquelas que eu queria, muito superficiais pro frio). Respondi com um "não" encabulado, mas que me deu uma pontinha de calor humano por saber que "eu" sou a filha e que aquele não era fim, mas meio. Meio, não: eu diria que era uma das formas daquela manifestação tão abstrata, e, ao mesmo tempo, tão real ao coração. Na trilha certa, então, com sorte as lacunas passam bem ao longe.
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3 times and you lose - Travis
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Na cadeira da frente, palavras que me dissolvem certezas e me ajudam a transformar nós em pedaços rasgados de respostas, colados pequenininhos, até se formarem pequenas teias, quiçá retalhos, de um tecido com o qual quero me familiarizar.
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No trânsito, uns seguem sozinhos, outros embalados por cafunés. Sinto os olhos pesarem, mas não são as luzes depois de tantas horas ao computador: é um casal de vovozinhos tentando, a todo custo, empilhar as últimas peças de lixo reciclável na carriola que seria puxada (imagino) ainda por um bom tanto. Por um instante penso no quão relativas podem ser a solidão e o contrário dela.
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Precisar de cuidado nem sempre é o que parece. As formas de manifestação, por vezes, são tão (ou mais) importantes quanto o cuidado em si. Os olhos e ouvidos treinam pra que o coração não se engane. O coração treina pra não tropeçar em tanta buraqueira dessa vida, tampouco pra preencher essas frestas com betume: basta desviar das lacunas, enormes.
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Comprei meias de algodão pra minha mãe. Várias delas. Brancas, mas com um filetezinho de cor - uma diferente pra cada um dos oito pares. Peguei pra ver se eram felpudas de verdade ou felpudas inimigas da máquina de lavar; não era esse o caso. "É pra sua filha?", me perguntou a vendedora que teve de conferir o código de barras com outras meias, do tipo soquete (não eram aquelas que eu queria, muito superficiais pro frio). Respondi com um "não" encabulado, mas que me deu uma pontinha de calor humano por saber que "eu" sou a filha e que aquele não era fim, mas meio. Meio, não: eu diria que era uma das formas daquela manifestação tão abstrata, e, ao mesmo tempo, tão real ao coração. Na trilha certa, então, com sorte as lacunas passam bem ao longe.
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3 times and you lose - Travis
13.7.09
break
Planos de reativação minados por mais uma daquelas crises maravilhosas de enxaqueca que derrubam e fazem a gente pensar nas saudades dessa vida tosca.
Hoje me deu uma saudade sem tamanho da minha mãe. Saudades também de um tempo que passou, mas que custa a ter feridas cicatrizadas. Saudade de mim.
Londrina, 15 graus. Sensação térmica de 3, negativos.
Hoje me deu uma saudade sem tamanho da minha mãe. Saudades também de um tempo que passou, mas que custa a ter feridas cicatrizadas. Saudade de mim.
Londrina, 15 graus. Sensação térmica de 3, negativos.
11.7.09
sábado de chuva, chuva, chuva
Pensando em reativar isso aqui.
Tô reativando minha vida, por que não também o blog?
Tô reativando minha vida, por que não também o blog?
15.8.08
sublingual pra super trouxa
Coisa mais bonita de ver o nadador chorando na água pela medalha sonhada por tanta gente. Tão discreto. Um vencedor, no sentido amplo da palavra.
* * *
Na vida de estudante de curtíssima temporada, me assusto com as opiniões de gente que deveria formar cumpridores da legislação acostumando-os, desde cedo, com a lazarenta idéia do jeitinho: 'com o tempo tudo se minimiza', ele explica, 'porque nada nesse país segue a sério com afinco, esmorece'. Jesus, como achar que o problema está só em Brasília, com esse tipo de atitude?
* * *
A lua. Técnicas avançadas de como se deletarem arquivos (ainda testo a eficácia das mesmas). Aqueles dois amigos que eu amo como à irmã que não tive, ou como um irmão mais velho, tão carinhoso. Clonazepam. E alguma sanidade - o suficiente pra eu sustentar os vícios e necessidades do capitalismo. É disso que preciso.
* * *
random: Minha herança: uma flor - Vanessa da Mata
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Na vida de estudante de curtíssima temporada, me assusto com as opiniões de gente que deveria formar cumpridores da legislação acostumando-os, desde cedo, com a lazarenta idéia do jeitinho: 'com o tempo tudo se minimiza', ele explica, 'porque nada nesse país segue a sério com afinco, esmorece'. Jesus, como achar que o problema está só em Brasília, com esse tipo de atitude?
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A lua. Técnicas avançadas de como se deletarem arquivos (ainda testo a eficácia das mesmas). Aqueles dois amigos que eu amo como à irmã que não tive, ou como um irmão mais velho, tão carinhoso. Clonazepam. E alguma sanidade - o suficiente pra eu sustentar os vícios e necessidades do capitalismo. É disso que preciso.
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random: Minha herança: uma flor - Vanessa da Mata
6.7.08
insônia
Enquanto eu testo o novo equipamento, me lembro do sujeito que achou a coisa mais normal do mundo a peça da loja dele custar quase o dobro que o registrado a poucos metros dali. Pensei em quem se submeteria a isso - será que o faz conscientemente, ou não? O pensamento logo some. O sono é forte demais.
Ando. De repente, percebo que não tenho aquela vontade de olhar quem está passando ao meu redor, tampouco de cruzar com o pensamento de quem atravessa o caminho à minha frente. É o horizonte frio do ponto-cego - só este - que me interessa. A cabeça, longe, às vezes lembra de novo que o sono é forte demais (assim como a lembrança do olhar outrora tranqüilo, a qual teimo em nocautear: duas fechadas de pálpebra e uma idéia cruel, e ela se enfraquece de novo). E eu volto à minha condição.
Senti o amor como achei que não sentiria, no que de bom e ruim ele pode ofertar (se é que, sendo amor, traz mesmo consigo este ranço). Um sono terrível me fez acordar agora pro medo que, este sim, não prega os olhos: saudade tem cura?
(escrito em 5/7/08, sábado)
* * *
Supersonic - Sonic Youth
Ando. De repente, percebo que não tenho aquela vontade de olhar quem está passando ao meu redor, tampouco de cruzar com o pensamento de quem atravessa o caminho à minha frente. É o horizonte frio do ponto-cego - só este - que me interessa. A cabeça, longe, às vezes lembra de novo que o sono é forte demais (assim como a lembrança do olhar outrora tranqüilo, a qual teimo em nocautear: duas fechadas de pálpebra e uma idéia cruel, e ela se enfraquece de novo). E eu volto à minha condição.
Senti o amor como achei que não sentiria, no que de bom e ruim ele pode ofertar (se é que, sendo amor, traz mesmo consigo este ranço). Um sono terrível me fez acordar agora pro medo que, este sim, não prega os olhos: saudade tem cura?
(escrito em 5/7/08, sábado)
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Supersonic - Sonic Youth
1.1.08
pequenas certezas que aquecem e gelam a gente
Primeira noite do ano. Falta algo aqui.
Primeiro post do ano. Falta assunto? Não, falta o ímpeto de escrever tudo o que penso, com todas as confusões que me aceleram o coração, gelam minhas mãos e me dão aquela sensação de que não, não posso planejar o dia de amanhã.
(Bem que eu gostaria.)
Gostaria de segurar sua mão e andar - sem rumo, sem prazos, sem senões e sem fantasmas. Mãos dadas com a certeza da pureza do sentimento, com aquela vontade da dedicação e do zelo.
Que é o zelo?
Dedicação a quem? A quê?
Bem sei: o coração não mente as respostas que guarda para si.
* * *
random: Descansa coração - Fernanda Takai
Primeiro post do ano. Falta assunto? Não, falta o ímpeto de escrever tudo o que penso, com todas as confusões que me aceleram o coração, gelam minhas mãos e me dão aquela sensação de que não, não posso planejar o dia de amanhã.
(Bem que eu gostaria.)
Gostaria de segurar sua mão e andar - sem rumo, sem prazos, sem senões e sem fantasmas. Mãos dadas com a certeza da pureza do sentimento, com aquela vontade da dedicação e do zelo.
Que é o zelo?
Dedicação a quem? A quê?
Bem sei: o coração não mente as respostas que guarda para si.
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random: Descansa coração - Fernanda Takai
9.12.07
Receita
Pegue os cacos do coração. Cole os cacos do coração. Transforme-o em um coração que (novamente) bata de verdade, não em um que meramente sobreviva.
Junte as memórias, selecione todas que devam ir para o liquidifica-dor e deixe em repouso. Depois de um tempo, é só pensar que memória é o agora que, já amanhã, se transformará em ontem. O que vem de antes do agora pode desandar a mistura pelo coração que (mais uma vez) bata de verdade.
Enxugue aquilo que insista em tentar desandar o espírito empreendedor de quem se empenhe na tarefa. Sugestão: use o conteúdo umidificante ao liquidificar as memórias; talvez seja relaxante. Mas não garanto. (grifo nosso)
Esqueça o banho-maria: essa receita carece de agilidade, ou a colagem não será a necessária para o resultado final.
Sirva-se, se puder.
Porque eu não posso. Não me - EU, é fato - enxergo ainda o suficiente.
* * *
Os sonhos nem sempre são os mais reconfortantes; pelo contrário. Alguns deles têm a capacidade de me deixar triste um dia, alguns dias. Bendita saudade.
Alguns sonhos, contudo, podem ser, ainda que tristes, mais leves que a realidade que se avoluma sem chance de sonhar acordada. Eu bem que tento, mas o guardião do portão lembra que, em vez de chave para entrar, eu preciso mesmo é de um liquidificador.
* * *
Horizontes se fecham, horizontes se abrem. E a vida vai.
* * *
random: Oração ao tempo - Caetano Veloso
Junte as memórias, selecione todas que devam ir para o liquidifica-dor e deixe em repouso. Depois de um tempo, é só pensar que memória é o agora que, já amanhã, se transformará em ontem. O que vem de antes do agora pode desandar a mistura pelo coração que (mais uma vez) bata de verdade.
Enxugue aquilo que insista em tentar desandar o espírito empreendedor de quem se empenhe na tarefa. Sugestão: use o conteúdo umidificante ao liquidificar as memórias; talvez seja relaxante. Mas não garanto. (grifo nosso)
Esqueça o banho-maria: essa receita carece de agilidade, ou a colagem não será a necessária para o resultado final.
Sirva-se, se puder.
Porque eu não posso. Não me - EU, é fato - enxergo ainda o suficiente.
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Os sonhos nem sempre são os mais reconfortantes; pelo contrário. Alguns deles têm a capacidade de me deixar triste um dia, alguns dias. Bendita saudade.
Alguns sonhos, contudo, podem ser, ainda que tristes, mais leves que a realidade que se avoluma sem chance de sonhar acordada. Eu bem que tento, mas o guardião do portão lembra que, em vez de chave para entrar, eu preciso mesmo é de um liquidificador.
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Horizontes se fecham, horizontes se abrem. E a vida vai.
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random: Oração ao tempo - Caetano Veloso
24.9.07
(anti)biótico
O inchaço fica do lado esquerdo. Bem do lado esquerdo.
A certeza de que o melhor de mim corre ralo afora também fica do lado esquerdo. Lado esquerdo tão involuntário, que, talvez por isso, às vezes eu tenha vontade de chamá-lo desprezível. Insensato. Estúpido.
* * *
Até quando um coração bate no mundo?
* * *
random:Close to you - Carpenters
A certeza de que o melhor de mim corre ralo afora também fica do lado esquerdo. Lado esquerdo tão involuntário, que, talvez por isso, às vezes eu tenha vontade de chamá-lo desprezível. Insensato. Estúpido.
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Até quando um coração bate no mundo?
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random:Close to you - Carpenters
18.9.07
cratera maciça
Quando entrei em casa, hoje, a fresta oportunista da persiana mostrava a lua linda no céu. Iluminava uma parte daquele mundaréu negro, mas em arredores tímidos: parecia meio enevoada, apesar do aspecto crescente.
A névoa rodeia a lua, embaça as certezas. E eu sinto que meu organismo precisa de alimento só porque o estômago dói - não há fome do alimento, nem prazer no consumo. Digestão enevoada.
O pensar no amanhã (minha prisão de tanto tempo) volta a rondar e se me lembra o quão ambíguo ele pode ser. Querer pensar, precisar pensar. Pensamento enevoado.
Ao telefone, a voz amiga tenta me convencer de que a lua pode, sim, ter um anel de luz em torno dela permanentemente. É preciso "ter paciência"; eis a receita que desconheço. Volúpia adormecida, volúpia enevoada.
Agora, queria ser a névoa em torno da lua linda.
*
random: Live Forever - Oasis
A névoa rodeia a lua, embaça as certezas. E eu sinto que meu organismo precisa de alimento só porque o estômago dói - não há fome do alimento, nem prazer no consumo. Digestão enevoada.
O pensar no amanhã (minha prisão de tanto tempo) volta a rondar e se me lembra o quão ambíguo ele pode ser. Querer pensar, precisar pensar. Pensamento enevoado.
Ao telefone, a voz amiga tenta me convencer de que a lua pode, sim, ter um anel de luz em torno dela permanentemente. É preciso "ter paciência"; eis a receita que desconheço. Volúpia adormecida, volúpia enevoada.
Agora, queria ser a névoa em torno da lua linda.
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random: Live Forever - Oasis
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